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26 agosto 2015

Arely A Mensageira - Capítulo 12: Curar

— Você realmente quer sair hoje, Ly? — a voz de Arwen parecia um grunhido de insatisfação, encolhida contra Alexandre para tentar se aquecer mais. O inverno paulistano ainda não chegara ao auge, mas já era suficiente para fazê-la ter vontade de se encolher debaixo de um cobertor. De preferência, com Alexandre junto e uma bacia de pipocas com queijo e tempero sazon recém-saídas do fogo.

— Quero, Arwen! Agora chega de drama, to com saudades da Sílvya! — a garota, arrastando Ruby pelo braço logo à frente, usava botas e blusa forradas de lã e calças de um grosso veludo, mas apesar disso, suas bochechas e nariz geralmente pálidos estavam coloridos de vermelho.

Arely A Mensageira - Capítulo 16: Ser

Bateram na porta com um ritmo característico, lento e metódico.

Sabri.

Louis ergueu a cabeça do livro — O Príncipe, de Maquiavel — e olhou na direção da entrada do quarto.

— Entre! — a porta se escancarou e o Bruxo andou na direção da poltrona onde Louis se acomodava. — Alguma novidade?

— Os demônios disseram que eles vão realizar o teste com Arely no fim de semana.

Louis fechou o livro e encarou Sabri, os olhos claros demais carregados de ansiedade.

Finalmente. A espera estava deixando-o agoniado, tanto quanto o fato de não conseguir mais se aproximar de Arely.

Arely A Mensageira - Capítulo 15: Descobrir

Depois da noite do estranho pesadelo, Allan e Arely se aproximaram novamente. Ele quem passou a ajudá-la todas as noites com as mãos em carne viva, e então permanecia com ela e a ajudava a dormir, inclusive permanecendo depois, garantindo que ela continuasse dormindo. E quando estava presente durante as refeições, o Lycan prestava atenção e, se achasse que ela mais tinha brincado com a comida do que se alimentado, a fazia comer mais. Não estava adiantando muito; ela continuava emagrecendo, e os pais dela ligavam preocupados todas as vezes que Arely dormia na própria casa, querendo saber se ela comera direito.

Os pesadelos eram constantes, muitos fazendo-a abraçá-lo e então chorar até que adormecesse de novo graças ao cansaço. Allan sentia-se impotente, incapaz de realmente fazer algo que a ajudasse, cada vez que os episódios se repetiam.

Arely A Mensageira - Capítulo 13: Exigir

Uma brisa balançou seus cabelos, trazendo o cheiro do sangue humano em suas mãos direto para seu nariz, mais intenso e fazendo a sede se revolver em seu interior. Uma careta contorceu o rosto de Louis, os olhos brilhando no meio da noite densa no Bosque dos Buritis. Alguns metros à sua esquerda, uma jovem morta, a terra bebendo do sangue que escorria de seu pescoço e ombros e que ele desprezara.

Logo depois do que ocorrera com seu espírito, tanto a sede como a vontade de caçar tinham retorcido suas entranhas, exigindo obediência. Bastara ouvir as novas dos Bruxos, de que Arely fora vista em São Paulo, e a confirmação do que ele já sabia, que seus dons tinham despertado, para sair da casa, deixando a bagunça para o trio, alegando que o desmaio fora falta de sangue decente, direto da fonte.

Arely A Mensageira - Capítulo 11: Proteger

— Tem certeza que está tudo bem, Arely? — Ruby perguntou pelo que podia ser considerada a centésima vez, enquanto ajudava a Humana a organizar os livros no antigo quarto da avó.

Arely suspirou, parando de organizar os livros de Júlio Verne por ordem alfabética na estante, o olhar se perdendo por entre os livros antigos e novos que seus pais e ela vinham acumulando. Ainda não lera sequer metade deles, mas leria todos. Um dia conseguiria. Mas não era isso que se passava em sua mente.

Arely A Mensageira - Capítulo 17: Viajar

Adrien era mesmo um idiota, foi a conclusão que Arely chegou assim que trancou o portão e caminhou na direção da porta, se esforçando para manter as vozes afastada e permanecer lúcida. Ele fora contra o que tanto Ruby como Allan tinham sugerido: que ela continuasse na sede do clã Carvalho, por causa do risco que os pais dela corriam caso ela mergulhasse na insanidade. Ele apenas alegara que estar perto dos pais deveria era facilitar que ela permanecesse lúcida e capaz de descobrir seu pior medo.

Idiota. Sem dúvida alguma. Cada coisa que as vozes e as visões contavam e mostravam sobre ele aumentavam o quão idiota ela o achava. Inferno de maldição que a fazia, apesar disso, ainda amá-lo.

Arely A Mensageira - Capítulo 14: Ouvir

PARTE 3:
CATEDRAL

"Dance a valsa negra comigo no meu quarto
Você gosta das paredes do meu templo?
Faça seus movimento - Presa em meu doce abraço
Leve o tempo que precisar - Você está destinada a ficar

Esvaneça
Encontrando o meu carinho perdido
Esvaeça em direção a minha Catedral"

(Cathedral - Tristania)


OUVIR

Fazia um mês desde a noite de bebedeira e a descoberta sobre quem ela era. Durante a semana, as manhãs eram preenchidas com o colégio, e as tardes no Parque Areião ou no Jardim Botânico, debaixo das árvores e longe das trilhas, ao lado de Adrien. Ruby os rodeava, atenta ao sinal de Vampiros, Bruxos ou humanos suspeitos, enquanto outros membros do clã permaneciam nas redondezas com o mesmo objetivo.

Arely A Mensageira - Interlúdio: CISMA

“Waiting for my damnation — your prosecutor's here
In my own accusation — you can't run from yourself
Oh we're living these lies all alone
So come on and throw the stone”

“Esperando pelo minha danação — seu acusador está aqui
Na minha própria acusação — você não pode correr de si mesmo
Oh, nós estamos vivendo essas mentiras totalmente sozinhos
Então venha e atire a pedra”

(Blood on My Hands – Xandria)

Observou a mansão se erguendo em meio às casinhas organizadas à distância, a inexistência de uma muralha destacando a vila Lafayette, uma sensação de saudosismo preenchendo seu peito após quase dez anos fora daquela dimensão. Sentiu uma mão em seu ombro, e sorriu para seu mestre Leonardo.

— Preparado, Adrien? — o Observador sorria de modo encorajador. O Lycan mais novo limitou-se a acenar afirmativamente.

Arely A Mensageira - Epílogo: Canto À Vida

“Canto alla vita
Alla sua bellezza
Ad ogni sua ferita
Ogni sua carezza”

“Canto à vida
À sua beleza
A toda as suas feridas
Toda as sua carícias.”

(Canto Alla Vita – Giuseppe Dettori)

A porta se abriu, devagar. A moça de olhos verdes e cansados a encarou, aguardando Hayato entrar. Sabia que era o Observador Drachen. As vozes tinham lhe contado no instante em que ele chegara ao corredor.

- Você me enviou uma mensagem urgente, Elizabeth. – o Drachen sussurrou, fechando a porta atrás de si antes de mancar com a ajuda da bengala até a poltrona diante da Mensageira. – O que aconteceu?

Elizabeth lambeu os lábios secos e cruzou os braços com firmeza em torno de si mesma antes de falar, o olhar um pouco perdido.

- Tive uma visão, Hayato. Em cerca de quinhentos anos, nascerá uma Mensageira. A última. – virou o rosto para o Drachen, focalizando o olhar em seu rosto. – E nenhum Observador a encontrará. Estarão em ruínas. Estará prestes a enlouquecer quando chegar aos dezesseis anos, e Louis, o irmão gêmeo de Adrien, um Vampiro, a encontrará e a transformará numa Bruxa. E eles... Se amarão, de uma forma estranha, e trarão o Inferno sobre a Terra.

O Observador baixou o olhar de bronze derretido, algumas mechas do cabelo branco-puro se soltando da trança e caindo sobre o rosto exótico. Pensativo e sem dúvida alguma sentindo o peso de seus milhares de anos.

- Existe uma forma de impedir isso? De garantir que ela seja encontrada por um Observador? – a voz soou, parecendo vir de todo canto da sala de estudos. Ele devia estar abalado com a visão que ela tivera, para deixar que a própria magia influenciasse tanto o ambiente ao redor.

- Adrien. Ele precisa chegar até lá. E precisa ser eu a amaldiçoa-lo à eternidade. Meu espírito de Bruxo não fará a passagem enquanto a maldição não se completar. Garantirá que as coisas aconteçam. – deu uma pausa, sentindo os olhos marejarem. Quando voltou a falar, a voz tremia. – Mas preciso colocar outras coisas na maldição, ou Adrien provocará uma guerra entre Observadores e Clãs Lycans.

Hayato franziu as sobrancelhas, intrigado.

- Como ele seria capaz disso?

- Ele... Se apaixonará pela Mensageira. Mas, sem encontrar Louis num momento tão intenso, ela amará o herdeiro Alfa de um clã. E Adrien o matará, porque Lycans não foram feitos para a eternidade e esta o afetará muito, a ponto de ignorar o que deve ser feito. – Elizabeth murmurou, e cobriu a boca com a ponta dos dedos. Hayato viu os ombros sacudirem com um soluço mal contido.

- Você vai encontrar algo para contornar isso... – o Drachen murmurou de volta e estendeu uma das mãos para segurar a da Mensageira. Ela deu um pequeno sorriso de lábios, que logo murchou.

- Quer dizer que... Posso seguir com isso?

Foi a vez de Hayato sorrir, e apertou a mão que segurava antes de falar.

- Você é uma Mensageira, Elizabeth. Vocês nos lideram e ditam o melhor caminho a se seguir. Sem Mensageiros, todos ficam perdidos de como realmente agir na guerra. Não posso te proibir de fazer o que deve ser feito, e você não precisa de minha permissão. – respondeu, e soltou a mão fina.

A moça suspirou, apoiando as mãos no colo.

- Ninguém pode saber até que a maldição finde. E todos me odiarão por não saberem o que aconteceria sem minhas ações. – falou tristemente. – E precisa ser antes do casamento. Caso contrário, não terei forças para aceitar ser transformada em uma Bruxa.

- Eu saberei, e não te odiarei. – Hayato falou, a voz séria e cheia de propósito e algo de amargura.

O Drachen abriu e fechou as mãos em punhos diversas vezes. Ele sacrificara os filhos, tantos séculos atrás que já não tinha certeza de quanto tempo se passara. Elizabeth sacrificaria a si mesma. Quantos outros sacrifícios terríveis teriam de fazer em nome do mundo?



Abriu os olhos castanho-chocolate, e antes que pudesse se impedir, começou a chorar. Elizabeth sacrificara a própria felicidade e a si mesma para que ela, Arely, tivesse a chance de se tornar uma Mensageira plena.

Mas será que ela seria capaz de fazer esse sacrifício realmente valer à pena?


“Canto alla vita
Canto a voce piena
A questo nostro viaggio
Che ancora ci incatena”

“Canto à vida
Doce e feroz
Para essa nossa viagem
Que ainda nos acorrenta”


(Canto Alla Vita – Giuseppe Dettori)

18 julho 2015

Arely A Mensageira - Capítulo 10: Saber

Louis e os Bruxos olhavam os restos despedaçados dos sequestradores.

Sandman conjurara uma bola de fogo e brincava com ela, jogando-a de uma mão para outra, mas apesar disso, seu rosto rejuvenescido carregava uma expressão raivosa e vingativa. Sabri pegou um pedaço de fígado com a ponta dos dedos, enrugou o nariz e o deixou cair; inútil para ser usado na magia. Jabez chutou um coração para longe de seus pés, tão inútil quanto.

— O pior é que não dá pra aproveitar nada... — Sabri falou num muxoxo. Louis abriu e fechou as mãos diversas vezes.

04 abril 2015

Arely A Mensageira - Capítulo 9: Encontrar

Caía.

Apenas caía.

Caía pelo infinito, estrelas vermelhas de sangue passando furiosamente ao seu redor, rastros de pequenas gotas vermelhas espirrando nela.

Tentou fechar os olhos, mas não conseguiu. Eles permaneceram abertos como que devido a uma estranha força.

E então, sentiu-se bater contra a superfície instável e líquida de algo, afundando lentamente. Primeiro, pensou que era água, mas ao olhar ao redor, viu-se no meio de um lago de sangue que a tragava cada vez mais para si. As estrelas de sangue que revoavam ao seu redor saíam dali, pulando para o alto e perdendo-se no vazio avermelhado que era o infinito.

16 fevereiro 2015

Arely A Mensageira - Capítulo 8: Buscar

PARTE 2:
INCÔMODAS VERDADES

"Mentiras, verdades, verdades, mentiras... Mentiras que consolam, verdades que machucam. Qual você prefere?"


BUSCAR

Adrien bufou, arrumando mais uma vez a gola da jaqueta jeans e afastando alguns fios do cabelo que caíam pelo rosto e obstruíam um pouco sua visão – diferente de Alexandre e Jean, simplesmente não conseguia deixá-los presos, odiava que ficassem caindo em cima dos olhos, e ainda não conseguia a coragem de cortá-los.

Olhou de novo o celular que comprara para a cidade, vendo que era meio-dia e trinta. Suspirou, saindo do quarto. A reunião iria começar à uma da tarde, na casa principal do clã Assaliah, cujos ancestrais tinham vindo de Jerusalém e tinham se mantido neutros na questão de Arely, pelo simples fato da garota não ter sangue judeu – se havia algo a não se duvidar, era de que os Assaliah eram judeus Lycans ortodoxos, com alguns dos melhores Observadores que já tinham existido vindos deles e outros clãs judeus. Alguns Observadores inclusive desconfiavam que a ordem começara com esses clãs.

11 setembro 2014

Arely A Mensageira - Capítulo 5: Sentir

Ruby fuzilou Adrien com os olhos cinzentos, ao que o Lycan apenas ergueu uma sobrancelha. Uma filhote querendo lhe fazer frente?

— Eu já te vi. No quadro do escritório do pai. – franziu as sobrancelhas, olhando-o, desconfiada. Então, ela era filha de Alexei? Provavelmente, a caçula. Longe de ser a Beta e nem sonhando em saber seu nome. – Por que quer se aproximar de Arely?

Foi a vez dele franzir as sobrancelhas, observando-a atentamente, como que procurando algo no fundo de seus olhos.

Como ela sabia? Nenhum Lycan, ainda mais um filhote, conseguiria adivinhar suas intenções com apenas uma ação. Ah, tinha mais dentro daquela cabeça ruiva, tinha certeza.

10 fevereiro 2013

Arely A Mensageira - Interlúdio: Pacto


Pray to the gods I have sold in this game of live and let die
Pray for my soul in this world to deliver me from my sins
Pray...

Reze aos deuses, eu me vendi neste jogo de viver e deixar morrer
Reze por minha alma neste mundo que entregou-me aos meus pecados
Reze...

(Blood on My Hands, Xandria)

Suspirou de modo quase aliviado ao ver o irmão correr. Acabara de ver o pai morrer pelas mãos – ou dentes – daquelas aberrações, não suportaria ver também o irmão e a mãe destroçados daquele jeito. Podia ter se jogado para a morte, mas levaria muitos daqueles monstros com ele.
Sentiu dentes afiados se encravarem em seu ombro. Uivou de dor, dando uma cotovelada no monstro que se aproximara pela retaguarda. Sentiu um pedaço de carne ir junto quando os dentes o abandonaram. Com um grito de guerra, virou-se, o machado fazendo um corte “limpo” ao arrancar a cabeça do corpo.

20 janeiro 2013

Arely A Mensageira - Capítulo 7: Desaparecer


Antes de seguir para o próprio quarto, Ruby parou na cozinha, onde sua mãe e sua tia lavavam a louça do jantar.

— Noite, mãe; noite, tia. – Aldina virou-se para ela, sorrindo de leve e enxugando as mãos no avental.

— Noite, filha. – beijou a testa de Ruby, e então passou a olhá-la de forma atenta e séria. – Ruby, você sabe que não devia se aproximar tanto da humana. Vão achar que está tentando influenciar as decisões dela, e por consequência vão culpar o nosso clã, que devia limitar-se a protegê-la. – Ruby girou os olhos. Devia imaginar que sua mãe diria algo assim. E Allan também diria, seu pai e todo o clã.

06 janeiro 2013

Arely A Mensageira Capítulo 6: Jurar

E assim passou-se uma semana.

Os pais de Arely quiseram ver as supostas queimaduras, mas, felizmente, Ruby tinha ficado até mais tarde e pensou rápido, livrando seu pescoço, alegando que era melhor expor os ferimentos apenas para trocar os curativos – e, de fato, era melhor fazê-lo apenas nesse momento.

Ruby estava ali todos os dias, trocando os curativos, acompanhando a humana desde o colégio: almoçava, lanchava e jantava na casa dela, fazendo juntas as tarefas e trabalhos, trocando ideias e conversando sobre jogos. Arely admitia que sentia falta daquela cumplicidade que ambas vinham compartilhando. E o fato de Louis ter parado de ir ao colégio melhorou seu humor de forma visível.

09 dezembro 2012

Fan-Arts A Cateral: Personagens 1

Abrindo os posts com os personagens de The War... Mais especificamente com as cinco "Estrelas" de Arely A Mensageira... xD Na ordem de aparição... u.u

"Modelo" da foto: Chloë Moretz (Editado por mim)

Capa Arely - A Mensageira

Feita uns tempos atrás, acabei me esquecendo de posta aqui u.u

Enfim, o rascunho inicial foi feito num caderno durante uma aula que me deu sono... A minha ideia central foi justamente colocar um fundo negro com a silhueta da Arely em branco. O sangue veio depois, como um complemento, e possui toda a sua significação com a história... Mas não vou contar por enquanto. xD


Syba Manda Beijos!

18 novembro 2012

Arely A Mensageira - Capítulo 4: Fugir

Frio.

Escuro.

Falta de respiração.

Falta de batimentos.

Água.

Água.

Água em todas as direções.

Nada de superfície logo acima.

11 novembro 2012

Arely A Mensageira - Capítulo 3: Lembrar

O cheiro que lhe rodeava era insuportável. Cheiro de hospital. E a cama dura confirmava suas suspeitas: estava de fato num hospital. O que acontecera? Ela se lembrava apenas de ter comprado um livro, tomar um Café Brigadeiro acompanhada de alguém... Quem mesmo? Ela sabia o nome. Lembrava até que queria perguntar algo para a pessoa... Era homem ou mulher? Arely simplesmente não conseguia se lembrar!

Abriu os olhos devagar. Sua mãe estava sentada na poltrona encostada na parede, dormindo de mau jeito e ressonando levemente. A cortina da janela estava fechada, e sentia uma pontada em seu braço. Olhou e enxergou a agulha que penetrava por uma das veias, um tubo longo e fino ligando-a ao saco de soro. E em ambos os braços havia marcas de tentativas falhas de furá-la atrás de uma veia, grandes e roxas. Era sempre a mesma coisa. Veia profunda e fina. Sempre que precisava tomar alguma medicação desse jeito, parecia que tinha sido espancada.

Sentou devagar, testando os sentidos e o senso de equilíbrio, e então conseguiu enxergar alguém sentado no chão, todo esparramado.