02 janeiro 2012

Teorias de Conspiração - Capítulo 23: Eu Sei O Que Você Pretendia

O tempo passa rápido demais, Teorias. Rápido demais.

Esses últimos dois meses passaram e nem percebi. Depois do que houve com a Gnoma e o Djin, Rashne fez que eu e Despertador treinássemos lutar em equipe de forma que um olhar bastava pra dizer o melhor a ser feito. E isso foi muito difícil, porque precisamos estar em sincronia, e isso era o mais difícil. Me esgotou completamente, mas acho que conseguimos pelo menos pegar o básico.

Só reparei como o tempo tinha passado quando papai voltou da Irlanda e vovó nos mandou fazer as malas porque íamos pegar o vôo para Manaus. A nossa sorte é que o casamento seria lá, aí depois era só ir até as festividades. Acho que eles escolheram lá de propósito, já que iam nos acompanhar.

Desde que me atacaram, a Gnomo e o Djin não deram mais sinais de vida. Conversei por celular com Eshe – aliás, Thaíze queria muito o número dele não sei por que, mas não passei não, não queria assustá-lo com uma Sereia estranha ligando pra ele – pra combinar melhor, e ele e Sammuel acham que os dois lá só estão planejando um ataque surpresa durante as festas, as-sim atacariam todas as Fadas de uma vez e ainda teriam Aine bem perto, em-bora fosse arriscado pra eles por causa da desvantagem numérica, mesmo se tratando de uma Gnoma Caçadora e de um Djin.

Desconfiei que talvez a Gnomo pudesse tentar achar algo que levasse os brincos e Malë até Aaron, por isso o avisei. Ele tratou de fazer o que sempre fazia quando corria perigo: se demitiu, mudou de nome e foi pra outro país. Não, ele não é brasileiro nem se chama Aaron. Não me pergunte o nome real dele porque ele não contou – e nem descobri o que ele era antes de ser trans-formado, também. Aliás, desconfio que Medéia tenha deixado mais artefatos antigos com ele, e que ele foge tanto justamente para protegê-los.

E falando em artefatos...

Meus brincos estão com defeito! O raio de ação deles vem diminuindo! Antes de desaparecer, falei com Aaron sobre isso. Ele disse que, talvez, isso se devesse ao fato de eu ser uma Fada e eles terem sido feitos por Elfos. Talvez só demonstrem seu real poder com Elfos.

Ah sim, falando em Elfos, eu fiquei enrolando pra arranjar um presente pros pombinhos e pronto! Estamos indo pra Manaus e nenhuma ideiazinha do que dar de presente...

Shit.


Fechei Teorias e o guardei na minha mochila. Sorri para Despertador, pendurando a mochila nas costas e arrastando minha mala sem rodinhas pelo simples fato de estar com preguiça de erguê-la, descendo a escada e parando na sala. Thaíze já estava ali, agitada pra caramba. Devon a olhava com uma sobrancelha erguida, Alessa com a cabeça apoiada em seu ombro e os olhos fechados, e Rashne se apoiara na parede, também com os olhos fechados. Ambos pareciam enjoados. Thaíze mexia no cabelo, andava, arrumava o vestido verde−água impecável, sentava, folheava uma revista, levantava, e continuava nesse ciclo... Meu Deus! Pára, já to ficando enjoada!

− Thaíze! Você já está deixando todo mundo enjoado! – segurei-a pelos ombros e a balancei, sentindo as borboletas em meu estômago se acalmarem. Ela sorriu amarelo, e parecia nervosa.

− Desculpa... Mas é que sou uma Sereia! Sereias têm pavor de alturas! – ela parecia sincera. Realmente sincera.

E por alguma razão, fiquei surpresa. Thaíze estava com medo de voar num avião?! Nunca imaginei que ela tivesse medo de algo que não fosse o cabelo ficar desarrumado na frente de um cara gato! Eu ia falar algo, mas alguém foi mais rápido.

− Não precisa se preocupar, jovem. – Vovó e papai vinham descendo as escadas. Vovó sorria suavemente para Thaíze.

As malas deles já estavam prontas. Há séculos. Mas tínhamos que levar nossas armas. Vovó possui um atestado falando que ela usa marca-passo, por isso não iria precisar passar pelo detector de metais. E papai, um pino na perna. E, obviamente, nossas armas estavam escondidas sob as roupas deles.

− Ok... – Thaíze respirou fundo, mas não parecia ter se acalmado. Nem um pouco. – Rashne... Posso sentar com você?! – ela agarrou o braço dele – e não nego que fiquei com um pouquinho de ciúmes, mas relevei, afinal, ela já tinha levado um fora dele uma vez – ao que ele suspirou desanimado enquanto acenava uma afirmativa.

− Se a minha aura de paz te ajudar a se acalmar... – ele acrescentou num murmúrio meio irritado, olhando rapidamente pra mim.

Os táxis que nos levariam para o aeroporto de Congonhas buzinaram na frente de casa. Thaíze e eu fomos lado a lado, cada qual com sua mala.

− Não se preocupe que não vou tentar tirar o Rashne de você, Ta... – às vezes, ela me chamava assim. Um jeito bem de amiga mesmo. – Qualquer Sereia inteligente percebe que ele é louco por você. – fiquei meio “hã?” enquanto Thaíze acelerava para evitar minhas perguntas.

Semicerrei os olhos, vendo-a entrar no outro Táxi, junto de papai, vovó e Despertador – que, coitado, já tinha sido obrigado por vovó a entrar numa gaio-la tamanho-família, disfarçada pela Teia.

Sereia desgraçada. Me deixa cheia de perguntas e foge.


Desembarcamos no Eduardo Gomes algum tempo depois. Mesmo no avião, Thaíze cuidou de me deixar sem ter como perguntar o que queria. Fez Rashne sentar entre nós duas. Como raios eu perguntaria algo relacionado a ele pra ela?!

Eshe nos esperava no salão de Desembarque. Assim que apresentei Thaíze à ele – devo destacar que ela estava muito histérica... –, ela se agarrou no braço dele, enquanto meu melhor amigo ficava vermelho feito um pimentão. Ergui uma sobrancelha, uma idéia rondando minha cabeça, mas era tão improvável que me dava medo.

Sammuel nos esperava numa van azul. Thaíze fez questão de sentar do lado de Eshe. Espero que meu melhor amigo saiba que Sereias não são de confiança. Ao menos nesses quesitos.


Do aeroporto, fomos para um porto onde pegamos um barco que Sammuel guiou subindo o rio Amazonas.

Não me pergunte por quanto tempo ficamos navegando, porque eu perdi a noção das horas enquanto estava naquele barco.

Enquanto Thaíze olhava para o rio de modo apaixonado, eu fiquei completamente mareada. Só não estava tão mal porque Rashne estava do meu lado. E percebi que eu não era a única mareada. Devon, papai e vovó também estavam com as faces levemente azuladas. Inverso total a situação no avião: eu estava tentada a “abrir” a janela. Yes, I’m crazy!

Em dado momento, papai perguntou para Sammuel se não tinha como usarem o teleporte. Rindo, Sammuel disse que o lugar tinha sido cercado com diversos tipos de feitiços de proteção e não era possível usar magia para entrar.

− Minha casa também estava completamente cercada com feitiços de proteção e ainda assim o Djin e a Gnomo conseguiram entrar... – murmurei de mal-humor, colocando a cabeça entre as pernas. Eu devia ter ficado de boca fechada.

Aaaaaaai, meu estômago tá cheio de redemoinhos idiotas!

Por que comi todas aquelas bolachinhas de chocolate no avião?


Eu nunca agradeci tanto por finalmente pisar em terra firme quando Sammuel parou o barco à margem de um caminho cheio de curvas feito por sequóias ou qualquer outra árvore e que estava muito bem disfarçado. Sério. Na hora, meu estômago parou de ficar tão cricri e normalizou. A cor da pele do resto da minha família também normalizou. Afeee... Será que o fato de sermos Fadas influencia nisso? Só sei que quase me ajoelhei e comecei a beijar o chão. Quase. Minha loucura ainda não é tanta.

O lugar estava bem escuro, apesar do sol ter apenas começado a se por. Tudo culpa das copas enormes das árvores que eu amo!

Eshe conseguiu se desgrudar de Thaíze – que desviou o olhar apaixonado do rio para ele – e começou a nos guiar junto com Sammuel pelo caminho.

Íamos rindo e conversando, Despertador cheirando tudo e parecendo atento a qualquer possível ameaça. Ainda bem que, tirando Thaíze cuja mala era a maior, nós todos trouxemos malas pequenas. Bem mais fácil de carregar.

Ah, claro, cada um carregando a sua. Foi bem engraçado ver Thaíze carregando o trombolho que trouxe. Ri muito!


O lugar era igualzinho ao da minha visão, com uma exceção aqui ou ali! Não lembro se era dia ou noite na visão, mas o lugar estava imerso num crepúsculo adorável. Elfos da Floresta e Ninfas iam e vinham pela clareira, terminando de arrumar as coisas para a festa. As colunas que demarcavam o espaço eram brancas, mas tinham tecidos coloridos amarradas. Aliás, os Elfos em si estavam um verdadeiro arco−íris de tantas cores! No meio do círculo de colunas, havia uma espécie de pequeno palco circular, e eu sabia que era ali que o mais importante, onde os noivos diriam “aceito” – ou o que quer que os Elfos façam em suas cerimônias – iria ocorrer.

Eshe levou eu, vovó, Thaíze e Alessa para o pavilhão onde a noiva es-tava se arrumando, e onde nós poderíamos nos arrumar, antes de ir socorrer o irmão em outro pavilhão. E Despertador, bem... Eu acho que ele ficou rodean-do o lugar. Ele realmente anda meio paranóico desde que morri. Mas varia também para o rebelde. Não sei dizer. Talvez seja a adolescência... Aquela Mantícora anda muito bipolar.

Hadassa era uma Elfa muito bonita. Ok, linda demais da conta. O cabelo preto e comprido caía em cachos irregulares até a cintura, com fitas coloridas trançadas em meio às mechas juntos com os enfeites de prata da visão. Os olhos cinza-tempestade estavam delineados com a cor azul-claro, e a pele morena quase brilhava. Usava um vestido que era basicamente em tons de azul, com a saia parecendo ter sido feita à base de retalhos, indo até os joelhos, e que marcava que ela tinha um corpo cheio de curvas – que inveja. Anéis, pulseiras e colares com pingentes em forma de flores e folhas estavam espalhados por ela, e tatuagens que aparentemente eram feitas de henna colorida cobriam-lhe desde as mãos até os ombros e dos pés até os joelhos. Uma delas era de uma borboleta. Igual a da minha visão, e na mesma mão.

No instante em que entramos, ela veio correndo nos cumprimentar, e eu percebi que ela estava sozinha no pavilhão – que, como tudo que eu vira até o momento, estava colorido... Elfos parecem gostar de cores. Desconfio que Sammuel seja exceção... Afinal, o vejo usando mais preto que qualquer outra cor.

Ela me abraçou como se fossemos amigas à muito tempo, e por um momento me assustei. Caramba, eu só tinha visto essa Elfa em visões, e ela me trata como se fossemos melhores amigas!

− Fico feliz que tenha vindo! Sammuel e Eshe falam muito de você e de como os salvou na Catedral da Sé! Lhe sou grata por ter salvo o Sammuel! – ah, tá explicado... É só porque salvei a vida daquele Elfo idiota.

Em seguida, ela cumprimentou vovó e Thaíze. Enquanto isso, percebi que, apesar das orelhas cheias de furos, ela não usava nem brincos nem piercings.

− Você não vai usar brincos? – perguntei, e ela sorriu para mim de um jeito que me deixou um tanto sem jeito. Pow, ela parece ser uma garota muito legal! Fiz bem em chutar o Sammuel enquanto ainda tinha jeito!

− Nós, Elfas, em nossos casamentos, usamos apenas as jóias que ganhamos como presente de casamento. – nesse instante, Thaíze pegou uma pulseira que parecia ser de oricalco do bolso da blusa, e vovó, um colar de ou-ro branco com pingentes de mitril em forma de estrelas. Filhas da mãe. Sabiam, vieram preparadas e não me avisaram.

− Eu e minhas irmãs sereias usamos nossas vozes para cercar essa pulseira com encantos de felicidade e prosperidade. – Hadassa estendeu um dos pulsos relativamente vazios, e Thaíze colocou a pulseira ali.

− Esse colar recebeu encantos de saúde e iluminação, para que a vitória em seu nome te acompanhe. – a Elfa abaixou levemente a cabeça, e vovó colocou o colar no pescoço dela.

Pense, Stacy! Só falta você dar um presente!

Pensa, criatura!

E então, me lembrei da segunda visão do casamento que eu tivera. Ha-dassa não usava brinco algum, e um leve mal estar me tomou – bendita intui-ção! E eu já sabia o que lhe dar de presente. Sempre confie em sua intuição, foi o que mamãe me falou, e é o que vou fazer!

Respirei fundo enquanto tirava os brincos de minhas orelhas.

− Esses brincos foram feitos por Elfos. Eu os ganhei de uma pessoa querida, e eles salvaram a minha vida e a vida de pessoas que amo. Espero que eles lhe protejam como me protegeram. – e então, como minha vó e minha amiga tinham feito, coloquei os brincos nela.

Sorrimos umas para as outras, e ficamos assim, meio bobalhonas, por uns cinco minutos, até vovó nos “acordar”.

− Bem, meninas, nós temos que nos arrumar! Logo o casamento vai a-contecer, e seria um tremendo insulto chegarmos atrasadas! Ah, Stacy, sua roupa está na minha mala!

Ah sim, existe esse detalhe. Minha mala é a menor de todas porque eu não trouxe roupas típicas do meu povo para ocasiões assim. Vovó é que costurou-as e bordou-as – como manda a tradição, devem ser feitas pelos parentes mais velhos quando nossos poderes despertam – e só vai me entregar hoje.

Thaíze sumiu num dos boxes do pavilhão enquanto vovó abria a própria mala e me entregava um embrulho azulado feito minhas asas – que já estão bem grandinhas e atrapalhando minha vida um bocado, já que é quase impossível achar roupas que as deixem livres e sentar e dormir sem machucá-las – e me entregou.

Sumi no boxe do lado do de Thaíze. Era bem espaçoso e tinha uma pe-quena bancada e roupas diversas de Elfas espalhadas pelo chão – quero ver depois pra saber qual roupa é de quem...

Coloquei o embrulho em cima da bancada e o abri. Estiquei o vestido diante de mim e fiz uma cara de “WTF?”.

O vestido era, na verdade, um conjunto composto por um top que fechava nas costas com um broche, com outros dois broches, um na frente e outro atrás, que prendiam umas cinco faixas que faziam vezes de alça, com uma delas indo até o broche da saia – que ia até o tornozelo –, preso junto com uma faixa que fazia as vezes de “cinto”. E havia outros tecidos e broches que eu nem tinha idéia de onde iam.

Shit. Eu não vou dar conta de me vestir sozinha...


Enquanto eu brigava com o broche da saia para prender uma das alças do top junto com as faixas do cinto, ouvi alguém entrar e começar a falar com Hadassa. Parecia a voz de um homem, e tentava convencê-la a não se casar.

Abri uma frestinha da porta do boxe, e vi aquele Elfo que me despertara antipatia em minha visão.

E, para minha surpresa, uma visão me arrastou.


Era o mesmo Elfo e, à julgar por como estava vestido, não tinha se pas-sado muito tempo daquele acontecimento ou ia acontecer em breve: era a mesma roupa dele conversando com Hadassa. Ele estava sentado à uma me-sa num lugar obscuro em um canto mais obscuro ainda. À frente dele sentou-se um homem que parecia se tratar de um Elemental do Vento: cabelos cinzentos, olhos cor de nuvem, pele quase transparente, corpo esguio e magro. Havia um brilho estranho em seus olhos, quase como que uma chama brilhante e azulada.

− Pensei que ia cuidar para não termos problemas daqui há quatro a-nos... – uau. Isso que é plano à longo prazo... Bem, foi isso que disse o cara-de-elemental.

− Eu sei. – o Elfo torceu o nariz, desgostoso. – Mas aconteceu algo que ele decidiu-se por Hadassa, e eu não consegui convencê-la do contrário. – ele suspirou de um jeito desolado antes de falar. – Estamos tratando com uma Fa-da da Floresta que tem afinidade com todos os feitiços e que conseguiu Malë. Devíamos estar preparados para imprevistos.

O outro respirou fundo, e parecia estar se controlando.

− Esses planos estão sendo executados desde antes dela despertar seus poderes! Não devia ter acontecido isso! – ele semicerrou os olhos. – Você não tem idéia de como é horrível ficar milênios preso num único corpo, afinal, é um Elfo, nunca teria esse tipo de problemas... – olhou de forma sombria para o outro, que se encolheu em seu lugar. – Por isso é importante que tudo esteja perfeito para que meu senhor possa acordar quando chegar a hora. Para que eu e tantos outros fiquemos livres dessas prisões de carne e pedra.

− Eu sei, e por isso concordei em ajudar! – o Elfo falou de modo exaspe-rado. O cara-de-elemental acenou-lhe para se acalmar.

− Eu sei que você nos ajuda de boa vontade. Mas é um fato que, já que falhamos em mantê-la afastada dos filhos de Ahura-Mazda pagando aquela Oráculo para uma falsa visão, agora precisamos pensar em outra forma de ela estar bem ocupada quando meu Senhor despertar, para que não o impeça... – ele fechou os olhos e ficou pensativo por alguns instantes. – Acho que está na hora de chamar alguns da extinção, apenas para o caso deles dois falharem como você falhou...


Como?! Peraí! A visão é SÓ isso?! Mas eu fiquei ainda mais cheia de perguntas! E eu tenho CERTEZA que tem absolutamente nada relacionado com a Gnomo Caçadora e sua rixa com as Fadas!

Argh! Que história é essa de falsa profecia? Que senhor vai despertar?! Quem vai vir da extinção?! Eu que vou impedir o tal carinha de despertar?! O que Fravashis têm haver com isso?! E quem são esses dois que vão tentar acabar comigo antes dos tais voltarem da extinção?!

Eu ODEIO quando minhas visões me deixam com mais perguntas do que antes!

Percebi que o tio de Hadassa ainda estava ali, e percebi que ela estava desconfortável, querendo muito chutá-lo dali, mas não o fazia por respeito, afinal, apesar de tudo, era tio dela. E então resolvi socorrê-la!

− Hadassa, você pode me ajudar aqui, por favor?! – fiz questão de falar em alto e bom tom. Ele olhou na minha direção, e algo em meu olhar o fez perceber que os planos dele não eram tão secretos. Ao menos foi a sensação que tive.

Ele saiu, acenando rapidamente para Hadassa, que foi me socorrer com a roupa.

Eu estava mesmo pensando em pedir pra ela me ajudar...


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