27 setembro 2011

Teorias de Conspiração - Capítulo 10: Enfim...

É, Teorias... Em cinco dias, minha vida mudou mais do que nunca. Eu disse que tinha a sensação de que algo ia acontecer!

Agora, não posso nem olhar pela janela pra não ver pontinhos luminosos e coloridos esvoaçando perto dos completamente humanos – e outras coisas que não sei o que são... E são poucos os completamente humanos. Pratica-mente todos têm pelo menos uma gota de sangue que vem do mundo escondi-do pela Teia de Seda – o meu mundo. Esses pontinhos luminosos são Fatum. São quase como Fadas, mas não são – e são frequentemente confundidas com a gente, como os Duendes. Tipo, são elas que aparecem nas lendas como Fadas pequenas – e os Duendes também, mas isso não vem ao caso. É difícil explicar, mesmo que eu não entendi direito quando Eshe me contou. Parece que são rastros de invocações feitas por qualquer um que não se dissolveram completamente. Elas alimentam-se da essência que os humanos exalam – que é como a Aëke das Fadas, que é essência, mas tem nome próprio porque pode contaminar outras pessoas; é só por isso que cada raça tem um nome diferente pra essência que usam pra realizar magia. Em troca desse alimento, elas ficam sussurrando idéias, soluções, o que ele deve fazer, etc. Infelizmente pra eles, elas discordam muito entre si e isso complica a situação.

Agora não posso olhar pro céu à noite, à menos que queira ver duas lu-as, a segunda orbitando ao redor da que todos podem ver; essa nova lua é a-zulada, menor e tem um halo de fogo esverdeado ao redor dela. Devon me dis-se que é dela que a Aranha Lunar Azul veio. Segundo ele, é lá que os seres que não querem mais viver vão, atualmente. É um lugar de morte. Ele disse que é chamada de Kolshö (Lê-se Kolshu), que na língua compartilhada por a-queles debaixo da Teia de Seda – e que eu tenho de aprender a falar se quiser realizar magia – significa algo como Suicídio ou Morte. Espero nunca visitá-la.

Ah sim, e quando perguntei o porquê do nome, disseram que é porque ela solta gases tóxicos em sua superfície. Legal, não?

Descobri porque chamam as raças desse mundo ao qual pertenço por nomes em inglês: é pelo simples fato de que ninguém estranha. E tudo em in-glês tem relação com os olhos, já que nunca muda, não importa quantas gera-ções tenham se passado desde que a família tenha entrado em contato com algo sobrehumano – pelo menos foi isso que entendi... Por exemplo, os Elfos da Floresta, que é o que Sammuel é e metade do Eshe é, são os StormEyes, porque seus olhos são cinza-tempestade. Já os Doppelgängers, que podem mudar de forma, e metade do Eshe é – e por isso ele consegue mudar a cor do cabelo e outras coisas – são os NothingEyes, porque, tecnicamente, seus olhos não possuem cor. Alguns não vão pela cor, mas pela sensação que os olhos causam, como os Djins, chamados de PeinEyes porque seus olhos provocam dor, mas só por causa dos Daevas dentro deles. Mas... Tenho de perguntar o que os EletricEyes são. Ok, eu perguntei, mas ninguém quis responder... Acho que eles ficaram com medo de me assustar.

Perguntei pra Sammuel o que exatamente ele fez com aquelas Fadas... Ele disse que, de certa forma, as enviou para os parentes vivos para que as enterrassem com dignidade. E o mesmo com a Mantícora. Não, não perguntei se matavam a Mantícora lá ou qualquer outra coisa. Não estava com estômago pra isso.

Enfim...

Pedi para vovó olhar minhas costas para ver o que havia, pra descobrir o motivo das pontadas e da dor aguda e leve, e juro que nunca a vi tão feliz! Até Devon pareceu surpreso!

Segundo vovó, asas – dessa vez não figurativamente – estavam des-pontando em minhas costas. Ela disse que dificilmente as asas de Fadas que não são totalmente Fadas – vovô era humano e minha mãe definitivamente não é uma Fada – surgem, e quando acontece, leva muito tempo. Legal, né?! Vou poder voar! Eshe ficou muito empolgado quando contei. Segundo ele, já tinha visto muitas Fadas, mas nenhuma com asas. Aeee!!!!!! Sou única!

Eu fiquei matutando por um tempo se contava ou não os meus estranhos sonhos pra vovó. Resolvi não contar o que sonhei exatamente, mas falei que tinha tido uns sonhos estranhos.

Ela disse que foi por eu ter me aproximado da fronteira com a dimensão dos Mortos, onde visões de passado, presente e futuro mescladas ficam pas-sando eternamente, fruto das memórias e energias daqueles que se perderam no caminho, mas que essas visões não são muito confiáveis.

Nem todos estão lá, na Dimensão dos Mortos. Muitos, Deus levou para viver com ele no Paraíso – na verdade, foram guiados –, mas muitos também foram pro andar de baixo. Só que, infelizmente, alguns se perdem no caminho. Não é o Purgatório que a Igreja Católica fala. É uma espécie de plano à parte pelo qual se passa para seguir para o Paraíso ou para o Inferno, mas certas criaturas, como Banshees – que são seres celtas que vivem em pântanos, bo-nitas, mas com vozes terríveis – e Sereias ficam a vagar por ali para desviar as almas de seus caminhos, mas só algumas, as mais malvadas, que foram pra lá por decisão própria – não me pergunte por que, eu não sei. E as almas ficam a vagar por esse plano, e são delas que vem as visões que não são como as dos Profetas de Deus, de quem as visões vem do cara lá de cima. São as visões dos Médiuns, das Sibilas e de coisas como Tarô. Que, aliás, só existem porque a pessoa tem parte do sangue proveniente de Fada, Banshee, algum Elemen-tal de qualquer elemento – geralmente água – e os Fravashis – que se cha-mam individualmente Fravartin – uma espécie de anjo persa. São os que mais tem alguma ligação com essa dimensão – pelo menos que eu me lembre...

Ao menos, foi assim que Eshe me explicou.

E Sammuel está definitivamente estranho comigo. Parece... Sei lá!

Evita me olhar, fala comigo só quando é inevitável... Sinceramente, ele está me dando raiva! – ou melhor, esta acrescentando mais raiva aos créditos que já tinha comigo. Por algum acaso, só por que descobri que sou uma Fada, não sou mais digna da atenção dele?!

Grrrr... Melhor parar de falar naquele idiota! Não quero descontar minha raiva em você, Teorias! Além disso, amanhã ele e Eshe vão voltar a caçar o Djin e nunca mais vamos nos ver!

Sim, eu não escrevi errado.

Hoje, antes de eu começar a escrever em você, Eshe veio no meu quarto se despedir. Disse que ele e Sammuel iam sair cedo. Fiquei triste, admito. Apesar da frieza de Sammuel, Eshe é muito legal! Tipo, nem parece que os dois conviveram juntos a maior parte da vida – aliás, o Eshe é irmão caçula do Sammuel. Depois explico a história direito... Depois de explicar como a magia funciona! Ai, minha cabeça vai explodir! É informação demais!

Enfim... Sammuel só tinha ido pro meu colégio por causa dos rumores de um Lobisomem por lá – achei melhor não mencionar minhas suspeitas so-bre meu professor de Geometria... – tinha ido só pra ver se tinham fundamento e, se sim, se estava causando problemas. Mas então começaram os ataques do Djin. Segundo Eshe, nem era para eles estarem no Brasil! Era pra estarem em casa, no Marrocos – Eshe disse que a maior parte dos Doppelgängers vive na África, mas não quis falar porque, apesar de eu ficar insistindo... – Sammuel aprendendo mais magia e Eshe aperfeiçoando sua habilidade de se transfor-mar e praticando pra ser uma mistura de feiticeiro e guerreiro. Não me pergunte como os rumores de um Lobisomem no Brasil chamaram a atenção deles no Marrocos, isso eu não sei. Voltando ao assunto inicial, assim que liquidarem com o Djin que está causando problemas, voltam para casa.

Ou seja, nunca mais vou vê-los. Vai com Deus, Sammuel!

Eu e Eshe nos abraçamos, feito dois amigos que ainda não se separa-ram, mas já estão com saudades um do outro, com direito à lágrimas estilo mangá!

Aff, que gay... Nada contra quem é, a opção é da pessoa, mas que a ce-na ficou gay, ficou.

Enfim...

A magia, no meu mundo, é tratada como algo quase sagrado – ao me-nos pela maioria das raças. Tipo... Cada família de cada raça tem seu livro de feitiços. Dificilmente os feitiços são iguais: tipo assim, possuem variações entre o de uma família e outra. Além disso, o treinamento pra poder usá-la é absurdo!

A magia só é possível por causa das nossas essências, no caso das Fa-das, Aëke – mas só o nome muda mesmo, como eu já disse... –, junto dos pin-gentes feitos de uma madeira especial. Dependendo da magia, liberamos uma certa quantidade da nossa essência, mas o problema é que ela vai pra todos os lados! Fica difícil de realizar algum feitiço ou encantamento desse jeito... E é pra isso que os pingentes existem! Eles concentram a essência de quem usa e permitem que a pessoa possa direcionar o feitiço corretamente. Quanto mais raro o pingente, melhor a pessoa conseguirá controlar o fluxo de essência – não sei direito porque, algo relacionado ao processo que as Hamadríades usa-ram pra frabricá-los.

Por causa disso, alguns feitiços e encantos exigem determinados pin-gentes para serem realizados.

E eu tenho seis meses pra conseguir o meu primeiro pingente, o que ofi-cializa meu caminho na magia, sem ser o de treino que eu já ganhei...

Daqui a pouco explico; primeiro vou explicar a história do Sammuel e do Eshe, pelo menos o que Eshe me contou.

É assim: a mãe do Sammuel morreu quando ele tinha três anos – não me pergunte do quê, ele não quis me contar... O pai dele, um ano depois, co-nheceu a mãe do Eshe, uma Doppelgänger. Os dois resolveram casar, mas os Elfos da Floresta do clã deles não aceitou – alguns ainda são muito conserva-dores e não aceitam a mistura de raças... Os dois então foram para o Marrocos, viver com o clã dela; um ano depois disso, Eshe nasceu. Pelas minhas contas, Sammuel tem dezenove anos... Não parece, mas, afinal, ele é um Elfo... Eu esperava até que ele fosse mais velho!

Sammuel não gostou muito de ter tido que abandonar seu clã de Elfos. A vida com os Doppelgängers não é tão fácil, diferente da vida com os Elfos. Por isso, quando está entre os humanos, ele usa o sobrenome de Heavenlost, por-que, de certa forma, ele perdeu o paraíso – paraíso dele. Tenebroso.

E é isso. Foi isso que Eshe me contou. Tentei arrancar mais, mas não consegui. Quer dizer, arranquei que Mantícoras odeiam Doppelgängers. Deve ser por isso que, no começo, Despertador só faltava avançar em cima dele. Agora minha Mantícora até parece gostar um pouco dele!

Enfim. Hora de explicar essa de eu ter de conseguir um pingente em no máximo seis meses.

É assim: em Dezembro, eu e Devon seremos apresentados à Aine de Knockaine, a Fada Rainha, mãe das primeiras Fadas. É um ritual que ocorre a cada dez anos. A Fada Rainha é apresentada àqueles cujos poderes desperta-ram nesse período. Eu vou ter de apresentar alguma magia – ou algo assim; sinceramente, não entendi direito a história. E preciso do pingente que oficializa meu caminho na magia pra isso.

E vou ter de camelar muito pra ter direito a ganhar meu primeiro pingen-te. Não se compra ou ganha ele de uma pessoa qualquer.

Eles são feitos pelas Hamadríades – como eu já disse –, ninfas que vi-vem em árvores, e, tipo, são elas que decidem se alguém está ou não prepara-do para ganhar o pingente. E não é fácil convencê-las disso... Elas te dão o pingente assim, de repente... E nunca é o mesmo para qualquer pessoa – só estou me perguntando como elas sabem tudo sobre todo mundo... Serão elas oniscientes? Ah, vá, alguma coisa assim...

Mas que vou ter sérios problemas... Ah, vou.

Quer dizer, Devon disse que levou um ano pra conseguir o primeiro pin-gente – seus poderes despertaram há quatro anos; lembro vagamente de um dia que ele ficou doente repentinamente quando ele tinha treze anos, parece que foi naquela ocasião que seus poderes despertaram. Vovó disse que Fadas e algumas outras raças tendem a pegar gripes e coisas assim muito fortes quando os poderes despertam porque sua resistência cai muito.

Atualmente, Devon disse que está quase conquistando o terceiro pin-gente – bem, ele acha isso. E disse que a história da garota com quem tava saindo era uma invenção pra conseguir tempo pra treinar com uma meio-Fravartin que ele conhecera, no mínimo vinte anos mais velha que ele e uma feiticeira muito habilidosa.

Ele me disse também que, além da magia, é possível seguir o caminho de um guerreiro, ou então mesclar os dois caminhos, como o Eshe e a maioria dos Doppelgängers.

Enfim...

É melhor eu ir dormir.

Amanhã começa meu treinamento...


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