10 janeiro 2013

Resenha: Ladrão De Almas

Eu sei, estava previsto para semana passada, mas acabei atrasando... Me desculpem.

E John Wülf: Não, acredite em mim, eu não vou quebrar a promessa da Arely u_ú



No turno da noite de um hospital no estado do Maine, o Dr. Luke Findley espera ter outra noite tranquila com lesões causadas pelo frio extremo e ocasionais brigas domésticas. Mas, no momento em que lanore McIlvrae — Lanny — entra no pronto-socorro, muda a vida dele para sempre. Uma mulher com passado e segredos misteriosos, Lanny não é como as outras pessoas que Luke conhceu. E Luke fica, inexplicavelmente, atraído por ela...mesmo sendo suspeita de assassinato. E conforme Lanny conta sua história, uma história de amor e uma traição consumada que ultrapassam tempo e mortalidade, Luke se vê totalmente seduzido. Seu relato apaixonado começa na virada do século 19 na mesma cidadezinha de St. Andrew, quando ainda era um templo puritano. Consumida, quando criança, pelo amor que sentia pelo filho do fundador da cidade, Jonathan, Lannyfará qualquer coisa para ficar com ele para sempre. Mas o preço que ela tem de pagar é alto — um laço imortal que a prende a um terrível destino por toda a eternidade. E agora, dois séculos depois, a chave para sua cura e salvação depende totalmente de seu passado. De um lado um romance histórico, de outro uma narrativa sobrenatural, Ladrão de Almas é uma história inesquecível sobre o poder do amor incondicional, não apenas para elevá-lo e sustentá-lo, mas também para cegar e destruir. E revela como cada um de nós é responsável por encontrar o próprio caminho para a redenção.
Editora: Novo Conceito
Autora: Alma Katsu
Páginas: 427
“- Você compreende agora? – ele perguntou. – Você não é mais mortal; está acima da vida e da morte. Não pode morrer. – Ele ofereceu o narguilé para mim e o puxou de volta quando eu não aceitei. – Não importa de que forma tentem matá-la; nem flecha nem rifle, nem faca ou veneno, nem fogo ou água, nem terra, nem doença, nem fome.” Pág. 160

Como posso falar corretamente de Ladrão de Almas?

É um livro intenso à sua própria maneira, intercalando capítulos que contam o passado de Lanny em primeira pessoa – e dentro deles, em parte do livro, o passado de Adair, contado por ele, mas em terceira pessoa – e capítulos se passando no presente, contando a fuga de Luke e Lanore – Lanny –, numa visão em terceira pessoa que foca mais em Luke, o médico que examinou Lanny quando a polícia da pequena cidade de St. Andrew.

“De alguma forma, com a ponta dos dedos murchos, o físico conseguiu tirar a tampa, revelando uma longa agulha que servia como uma rolha bem fina. Um fluído viscoso e acobreado estava grudado na agulha e formava uma gota gorda na ponta.
- Abra a sua maldita boca! – o físico mandou, segurando a rolha sobre os lábios de Adair. – Está prestes a receber um dom precioso. A maioria dos homens mataria ou pagaria muito dinheiro por ele. E aqui estou eu a ponto de desperdiçá-lo com um idiota feito você! Faça o que eu disser, seu cachorro mal-agradecido, antes que eu mude de ideia. – Ele nem precisava ter brigado: a agulha era fina o suficiente para atravessar os lábios de Adair, e ele a enfiou na língua do rapaz.” Pág. 200/201

Fiquei surpresa com a dedicação de Lanore para com Jonathan. Até dei uma pausa na leitura em dado momento, porque foi extremamente difícil para mim imaginar a intensidade desse amor de Lanore. Mas depois, quando “aceitei” a enormidade do sentimento de Lanny para com Jonathan, não consegui mais largar o livro. Eu queria saber o que tinha levado-os de 1809 para os dias atuais. E porque ela tivera de matá-lo, porque, uma vez que entendi o quanto ela o amava, me pareceu absurdo ela matá-lo.

“- Não foi nada disso. Nós nos conhecíamos. Viemos juntos para a cidade. Ele – ela para, gaguejando –, ele me pediu para ajudá-lo a morrer.” Pág. 17

“Será que preciso lhe contar sobre Jonathan, o meu Jonathan, para que então compreenda como eu podia ter tanta certeza de minha devoção? [...]
Quando Jonathan completou 12 anos, não havia como negar que havia alguma coisa sobrenatural nele, e parecia óbvio atribuir isso a sua beleza. Ele era uma maravilha; a perfeição. Não era algo que se pudesse dizer sobre muita gente naquela época, quando as pessoas eram desfiguradas por um número variado de causas: sarampo ou acidente; queimadura na fornalha; magreza por desnutrição; desdentadas aos 30 anos; tortas por causa de algum osso consertado de forma errada; com cicatrizes; paralíticas; sarnentas por falta de higiene; com partes do corpo amputadas por causa do frio da floresta. Mas não havia uma só marca de desfiguração em Jonathan. Ele se tornara alto, ereto e de ombros largos, tão majestoso quando as árvores de sua propriedade. Sua pele tinha um tom creme; seus cabelos eram negros, lisos e tão brilhantes quanto as asas da graúna; seus olhos eram escuros e profundos, como os remotos recessos do Allagash. Ele era simplesmente lindo.” Pág. 27/28

Não apenas isso. Todos os personagens são humanos da forma mais intensa possível, cheios de matizes de cinza, nenhum muito bom nem muito mal, embora Adair seja realmente alguém mais pendente para o lago negro. Mas sem deixar de ser fascinante.

Lanore engravida de Jonathan, e os pais a enviam para Boston, onde terá o filho num convento, o abandonará e então voltar para St. Andrew. Mas ela não faz isso, e é nessa que ela vai parar na casa de Adair, onde conhece Alejandro, Uzra, Tilde e Donatello – todos de belezas fantásticas e próprias –, onde vive por 3 anos após ser tornada imortal, e onde mal vê o tempo passar.

O mais surpreendente é que os personagens ditos imortais são literalmente imortais. Não há um calcanhar de Aquiles ou algo assim. O fato é que somente – somente – quem os tornou imortais pode feri-los e matá-los. E é justamente isso, que somente quem tornou alguém imortal pode matar esse alguém, que gerou esse “encontro de destino” entre Luke e Lanore.

Conforme a história de Lanore avança, o egoísmo que ela sente fica ainda mais evidenciado devido a tudo que fez – e ainda vai fazer – por Jonathan. É após 3 anos, quando Adair fica sabendo sobre Jonathan, que Lanore volta para St. Andrew, com a missão de levar seu eterno amor para Boston. À partir daqui, deixo para o livro, porque é aí que tudo fica ainda mais daquele jeito que o coração parece estar na garganta de tanta ansiedade.

Existem outros personagens, que, em dados momentos, parecem não importar muito para a trama, mas que ao avançar das coisas, acabam se mostrando, sim, importantes, de certa forma. Não vou contar muito além, porque provavelmente vou acabar estragando tudo.

E eu digo que Ladrão de Almas é o título ideal para o livro, combinando muito bem, obrigada, com Adair.

“- Estou dizendo que tenho buscado respostas e que nenhuma voz falou comigo até hoje. Nem Deus nem Satã se deram ao trabalho de me explicar como este “milagre” se encaixa nos planos deles. Ninguém me pediu para ser submisso a ele. A partir daí, só posso deduzir que não sou servo de nenhum dos dois. Não tenho mestre. Somos todos imortais: Alejandro, Uzra e os demais. Eu transformei todos vocês, você compreende? – outra longa baforada no narguilé, um gole de água e sua voz retumbante baixou. – Você transcendeu a morte.
- Pare de dizer isso, por favor! Está me assustando.
- Irá se acostumar e, logo, logo, não sentirá mais medo. Não haverá nada com o que se assustar. Agora, há somente uma regra a seguir, uma pessoa a quem deve obedecer e essa pessoa sou eu. Tenho sua alma, Lanore. Sua alma e sua vida.” Pág. 161

E eu acho que o passado de Lanore vai voltar para chutar a bunda dela no próximo livro. Querendo ou não, a solução dada ao problema dela não era para sempre...

Recomendado! u_u

Syba Manda Beijos!