16 fevereiro 2017

Resenha: O Lado Mais Sombrio

E as habilidade fotográficas de Gabi continuam um lixo :v
Editora: Novo Conceito
Autora: A. G. Howard
Páginas: 366

"- Ele está aqui... - Dou um pulo quando essas palavras invadem meus ouvidos - as mesmas que a mosca disse antes. Só que dessa vez não é um sussurro, não é um dos ruídos aos quais estou acostumada. É um homem com forte sotaque britânico.

Espelhos cobrem as paredes da loja, e um borrão se movimenta entre eles. Quando olho mais de perto, os reflexos nada mostram além da minha própria imagem.

- Ele cavalga no vento. - a voz penetra no meu sangue. Uma rajada de ar frio surge de repente e apaga as velas, deixando somente a luz da tarde e o candelabro do teto." (pg. 57)

"O Lado Mais Sombrio" quase é o tipo de livro que Gabrielle normalmente foge que nem Vampiro foge do sol: é livro com triângulo amoroso. E triângulo que toma BOA parte da história e narrativa em primeira pessoa.

O livro conta a história de Alyssa Gardner, jovem descendente de Alice Liddell, a Alice cujos sonhos insanos inspiraram Lewis Carroll. Capaz de ouvir insetos e plantas, algo que ela se nega a admitir e prestar atenção com todas as suas forças, com medo de acabar como a mãe, Alison: numa instituição psiquiátrica. Alyssa quer muito que a mãe volte, mas duvida que seja possível.

E é durante uma visita à mãe que as coisas entornam para Alyssa e ela começa a considerar que talvez não seja assim tão louca e nem que sua antepassada o era: uma espécie de tempestade insana, sua mãe parecendo mais lúcida do que nunca, sua mãe tocando a marca de nascença na parte interna de seu pulso na marca idêntica no tornozelo dela e curando-a, sua mãe falando sobre uma maldição em sua família... Seu pai falando sobre ter dado permissão para ser iniciada uma terapia de choque em Alison. Diversos "tesouros" relacionados ao País das Maravilhas que Alison escondeu e Alyssa encontra. E principalmente, lembranças estranhas de sua infância que haviam sumido e voltaram para assombrá-la.

Isso é só o começo de uma aventura literalmente carregada de magia e de certa sensualidade que Alyssa e seu melhor amigo Jeb percorrem, adentrando o coração do País das Maravilhas para encontrarem a Lagarta e terminaram com a tal maldição. Ao menos é o que ela pensa.

Os personagens são bem interessantes e bem desenvolvidos, especialmente os chamados "Intraterrenos", os habitantes do País das Maravilhas. A autora, na minha opinião, captou e descreveu e intensificou bem a "loucura" descrita por Carroll - muito bem exposta no capítulo "O Banquete das Bestas" -, além de expandir de uma forma muito interessante, demonstrada por Tweedledee e Tweedledum; em "O Lado mais Sombrio", são espécies de aranhas, as Irmãs Um e Dois - a Um tem um jardim onde ela "planta" e cuida dos espíritos dos mortos do País das Maravilhas em rosas, a Dois aprisiona as almas "condenadas", as perigosas, em brinquedos abandonados e os mantêm calmos usando sonhos de crianças humanas. Guardem bem essa informação agora: as crianças intraterrenas não sonham; intraterrenos não possuem "imaginação", "criatividade", por assim se dizer. É uma característica do País das Maravilhas que de certa forma incentiva os acontecimentos ao longo da trilogia.

Morfeu, a Lagarta, é o personagem que está sempre empurrando Alyssa a ser mais, com uma agenda obscura, e é terrivelmente bem desenvolvido; Jeb, o melhor amigo de Alyssa, é tão bem desenvolvido quanto, extremamente dedicado à Alyssa, entretanto, enquanto Morfeu acredita que ela é forte e a incentiva a ser, Jeb já tenta protegê-la. Isso cria pontos de tensão entre os dois e com Alyssa, especialmente depois que ela descobre ter sangue intraterreno: eles contribuem para como ela se sente dividida entre seu lado humano e o lado não-humano.

Outros personagens a se destacar são Chesire, que no primeiro livro não aparece muito, mas é parte da razão de tudo acontecer, a Rainha Vermelha, e a irmã dela, Geraldine, se minha memória não falha. São todos personagens que ajudam a demonstrar a "insanidade" do mundo que Howard construiu.

A narrativa, em primeira pessoa, pode atormentar um pouco quando Alyssa fica muito focada na parte mais romântica - relacionadas a Jeb e Morfeu -, mas apesar disso é uma narrativa muito gostosa de acompanhar, que contribui lado a lado com os personagens e cenários para demonstrar a loucura intraterrena. As cenas de ação são muito bem feitas, e no total eu sentia facilmente os conflitos e as confusões da personagem, tentando entender os objetivos de Morfeu, o que estava lhe sendo oculto, sua linhagem e todo o mais.

A edição da Novo Conceito é uma coisa linda demais. Tem nem o que falar muito.

No geral, é um livro que gosto muito, uma aventura bem escrita com doses de romance (que às vezes enchem o saco, mas no fim se mostram úteis e trabalham junto com a história, aindabem), e cheia de loucura muito bem aplicada.

Classificação final: