07 dezembro 2016

Como o Krav Magá Me Ajudou

Hei, pessoas!

Desde Setembro e a postagem sobre Setembro Amarelo feita no blog (essa aqui) que estou com essa ideia na cabeça, de fazer uma postagem sobre Krav Magá, mais voltada para a minha experiência pessoal. E como uma das personagens de "O Som do Sangue" (o livro que eu avancei um bocado no NaNo) é uma praticamente da luta há uns quinze anos (a personagem, não eu. Mas eu vou chegar lá. xD), cá estou eu, finalmente com essa postagem pra falar um pouquinho sobre o Krav Magá em si e mais especificamente falar como que praticar a luta me ajudou. Talvez eu atraia mais alguém para a luta, seja porque parece legal

E lá vamos nós!
O símbolo da federação. Sim, Krav Magá é uma marca registrada na América do Sul, para segurança dos próprios praticantes. (fonte)




Para aqueles que nunca ouviram falar de Krav Magá, se trata de uma luta. Uma arte marcial, por assim se dizer. Diferente de Judô, Caratê, luta Greco-Romana e outros, não existem competições de Krav Magá, o que acaba contribuindo para o "anonimato" da luta perto das outras em relação a população em geral. Entretanto, em relação à policiais e militares, a prática já é bem mais conhecida: não apenas o Krav Magá é a luta oficial usada pelo exército Israelense, como forças especiais de diversos locais da Terra aprendem parte das técnicas; aqui no Brasil, por exemplo, a marinha treinou Krav Magá para se preparar para as Olimpíadas esse ano.

A luta foi criada por Imi Lichtenfeld, em Israel, em meados de 1940, com foco em defesa pessoa. Aqui no Brasil, e na América do Sul em geral, o Krav Magá começou a ser difundido em 1990 por Kobi Lichtenstein, cumprindo até hoje essa missão - difundir o Krav Magá na América do Sul - que Imi lhe entregou. Quem tiver curiosidade, em 2004 o mestre Kobi esteve no Programa do Jô. :) Todos os instrutores da Federação passam por um treinamento rigoroso para poderem ensinar, e por isso, caso se interesse em fazer a luta, recomendo que procure uma academia da Federação e que passe longe dos piratas.

Mas então. Como exatamente o Krav Magá me ajudou e ainda ajuda?

A primeira forma que me ajudou foi me dar uma forma melhor de lidar com a raiva que o sentimento de impotência de não ter controle sobre a minha vida e de não saber como ajudar em casa e todo o mais (incluindo greves da faculdade e o sentimento de "eu não sei o que to fazendo aqui" em relação à mesma) geravam. No Krav Magá, por mais que eu só estivesse começando e não soubesse nada, eu tinha e ainda tenho controle sobre alguma coisa na minha vida. Eu aprender as técnicas e avançar de faixa e correr e me preparar para eventualidades depende muito mais de mim e da minha dedicação do que de terceiros, como foi durante toda a situação com a minha vó + faculdade, onde a sensação era a de "eu não controlo p**** nenhuma na minha vida". Aprendi a deixar a raiva se esvair e de brinde ganhei controle sobre algum aspecto da minha vida. Me senti muito mais leve, psicologicamente falando.

Depois desses dois pontos - raiva e controle -, tem a questão de aprendizado constante e longo e facilmente visualizado como aprendizado que, pra mim, é calmante. Eu amo estudar e aprender coisas novas, é uma terapia fazer isso especialmente no apenas por fazer, sem ter obrigação de provas e afins, só que, por ter uma memória relativamente boa demais para textos e linguagens e afins, de certa forma eu acabo aprendendo rápido e/ou enjoando rápido, especialmente se usar o método que mais se aplica a mim (o método Kumon ou similar). Tenho essa questão de aprendizado na escrita e no desenho, mas neles a minha evolução se tornou bem mais sutil nos últimos anos. Ainda amo fazê-los, mas não me acalma como costumava. E estudar as disciplinas da faculdade, pra mim, tinha deixado de ser algo prazeroso. Fazia porque tinha de fazer, mas só me estressava no processo (no começo eu até me divertia). O Krav Magá, com as aulas duas vezes por semana e com o fato de que não é apenas decoreba, de que é necessário treinar e treinar e treinar pra conseguir dar um soco corretamente e com força, ou um chute foice, ou escapar de um agarramento pelas costas, me fez lembrar desse meu prazer em aprender e em descobrir que eu só estava conseguindo encontrar raramente na ficção. Volto mais calma das aulas, e não é cansaço, é calma mesmo, simplesmente por ter a sensação de estar aprendendo algo. É difícil de explicar, eu sei.

E por último, a questão da saúde, que continua capenga porque, né, massas e doces S2, mas que está melhorando em passinhos pequenos e me fazendo sentir melhor comigo mesma, e as amizades que fiz no ambiente do Krav Magá. Pessoas que eu só estava começando a conhecer um ano e meio atrás, mas que já podia perceber que eu não teria problemas com eles. Isso fez eu me sentir... Segura, por assim se dizer. Sem julgamentos por ser cristã e estudar biologia, que eu vi um bocado na faculdade, e nem ser isolada por qualquer que seja a razão que sinto na minha igreja (não me dou muito bem com a maior parte das pessoas de idade próxima à minha na CCB). E olha que são diferenças pra burro entre mim e os meus colegas praticantes de Krav Magá!

Tudo isso junto, proporcionado pelo ambiente da academia e pelo certo nível de descontração da instrutora durante as aulas, contribuiu e ainda contribui para o meu psicológico se recuperar e se fortalecer (espero). Me sinto mais focada, mais sobre controle, mais eu mesma. Por mim, praticarei Krav Magá até o fim de meus dias (que eu tenha o dinheiro para pagar a mensalidade por esse período, amém). E considerando que a academia da Federação abriu a literalmente dois quarteirões e meio da minha casa na época que eu precisava, considero que foi sinal de Deus para "Faça", já que conhecia de nome desde meados de 2008.

Por causa dessa minha experiência, eu recomendo a prática de algum tipo de luta, especialmente para aqueles que passaram pelo mesmo que eu, mesmo que de forma diferenciada. De algo que te faça suar à bicas e te obrigue a deixar tudo que não seja relacionado à luta de fora do tatame, que te faça focar pura e simplesmente naquilo. Ser obrigado a focar em algo assim, por pelo menos algumas horas, pode ajudar. Sua mente acaba deixando as preocupações normais de lado, em prol de "eu tenho de aprender essa técnica; instrutor(a), socorro, o que to fazendo errado?; tu tá fazendo errado, é assim; ok, onde que eu errei que eu não soltei o meu braço?; SOQUEM ESSA ALMOFADA MAIS FORTE, QUERO OUVIR O BARULHO DO SOCO!" e similares. É difícil, não é fácil não (pleonasmo wins), tinha dia que dava o maior desânimo de ir, mas, a gente só sabe se vai ajudar se tentar.

E ter instrutor e os demais amigos perguntando onde você tava quando falta e praticamente te convocando pra ir em eventos do esporte e afins ajudam. xD


O Site da Federação, onde vocês podem ler em mais detalhes a história da luta, onde fazer e afins: http://www.kravmaga.com.br/