17 novembro 2016

Resenha: Os Imortais de Meluha


Editora: NVersos
Autor: Amish
Páginas: 391

"Shiva lançou um olhar para o velho; os braços murchos eram mais finos do que seus pulsos. O velho comia em pequeníssimas porções, enquanto empurrava os maiores pedaços de pão para Shiva, que olhou para o chão, seu coração ainda mais pesado no peito quando lágrimas brotaram de seus olhos. Comeu depressa o bocado que o velho lhe ofereceu. A comida acabou num piscar de olho.

Liberdade: liberdade para que os miseráveis também tenham dignidade. O sistema de governo de Meluha não permite isso aos seus cidadãos." (pg. 363)



Trilogia Shiva é uma daquelas séries que eu não vejo a hora de conseguir terminar. Considerando a dificuldade de encontrar os livros da nVersos em Goiânia e o preço médio quando acho, vai demorar. Infelizmente, porque quero muito descobrir o resto da aventura de Shiva :/

Mas vamos lá. Foco.

Primeiro, a trilogia Shiva é uma ficção histórica que se passa por volta de 1900 a.C. na Índia, uma ideia surgida do pensamento de Amish "E se Shiva tivesse sido de carne e osso?". Sim, Shiva, deus hindu; é com essa premissa e com base na herança mitológica indiana que o autor escreveu a trilogia. Ao mesmo tempo que é ficção histórica, tem toques bem colocados e justos de fantasia, além, é claro, de fugir totalmente do medieval europeu que estamos acostumados a ver. É ótimo esse "ar novo" que o livro trás, essa mudança de ambiente. Especialmente porque, venhamos e convenhamos... O mercado de fantasia atual está relativamente saturado do típico cenário medieval europeu.

A história de Os Imortais de Meluha começa basicamente com Shiva, o chefe de uma tribo na Índia, recebendo um convite para que ele e todos de sua tribo vão para Meluha, um país onde tudo é perfeito.

Em teoria.

Uma vez em Meluha, Shiva e seus conterrâneos tomam uma determinada bebida (que eu não lembro o nome exato), mas que é responsável pela longe expectativa de vida dos habitantes de Meluha. Como bióloga, achei interessante a explicação mais científica pro funcionamento da bebida - antioxidantes. Como resultado da ação da bebida, a garganta de Shiva se torna azul. A marca de que ele é o salvador profetizado de Meluha.

Com essa marca, é falado sobre Swadweep, inimigos de Meluha mais por diferenças filosóficas que qualquer outra coisa. Com isso também, Shiva passa a conhecer mais o país que acolheu sua tribo e algumas das coisas que encontra, em especial a questão do "Karma negativo" o incomodam. Mas ele continua, e vai em frente para ajudar Meluha e lutar contra seus inimigos e descobrir porque o rio Sarasvati, cuja água é um importante ingrediente na bebida responsável pela vida longa de Meluha, está secando.

Existem mais tretas. Claro que existem. Especialmente a relacionada ao quote que abre a resenha. Vou contar? Não. Não vou estragar a surpresa de vocês quanto a esses acontecimentos.

Os Imortais de Meluha é um livro que me agradou muito e me surpreendeu muito também. Primeiro pelo que já mencionei, o cenário diferenciado. Depois, a questão da filosofia apresentada. O livro foi escrito por um indiano seguidor de Shiva, e apesar de toda a influencia que a Inglaterra teve na Índia, é possível perceber mudanças em formas de ver o mundo que não estão relacionadas apenas ao período histórico descrito. É um outro tipo de mudança que é bom ver, depois de tanto tempo apenas com a visão europeia.

Essa mudança também é perceptível nos personagens. Em suas aparências, personalidades e comportamentos. Além de serem bem desenvolvidos, especialmente Shiva.

A narrativa em si é bem simples. Não é uma narrativa almejando ser grandiosa como algum livros, nem perde muito o foco como outros, mas apesar dessa certa simplicidade, é uma boa narrativa, que permite facilmente imaginar o ambiente e os personagens. É... A narrativa certa para a história, eu diria.

E claro, a nVersos fez um ótimo trabalho de revisão e diagramação; como não li em inglês (só comecei, antes de descobrir que o livro seria publicado no Brasil), não posso falar da tradução.

É um livro muito bom, que me ajudou a expandir um pouco mais da minha visão de mundo, e que recomendo fortemente.


Classificação Final: