11 agosto 2016

Indicação/Resenha: Álbum Codex Atlanticus - Serenity


A Sabedoria é filha da Experiência

Quem tem Gabi no facebook talvez tenha notado uma enxurrada de postagens referentes às músicas do último álbum do Serenity que saiu, Codex Atlanticus.

Como a coisa tava tensa, cada hora queria postar sobre uma música e afins... Decidi postar no blog sobre o tal álbum. É a segunda vez que um álbum me marca tanto e preciso falar dele no blog; o primeiro foi o álbum Imaginaerum do Nightwish.

E lá vamos nós...




Primeiro. Olhem essa capa. Olhem bem. Esse ar de Monge em seu refúgio onde realiza pesquisas. Não é um show?

E aí a gente olha as músicas...

Gente... Uma mais linda que a outra.

O arranjo de instrumentos e vozes está incrível como sempre. Serenity é ótimo nisso. Pianos, guitarras, baixos, baterias, trompas, trompetes, violoncelos (se meus ouvidos não me enganam... xD) e outros. Metal sinfônico em toda a sua glória diversificada e misturada que eu amo.

E as letras, então...

Vou falar isso MÚSICA POR MÚSICA, porque estão simplesmente incríveis S2

Primeiro temos a entrada linda do álbum, Codex Atlanticus. Instrumental com algo de um soprano (eu acho xD) feminino suave acompanhando. Maravilinda como entrada.


A segunda música é Follow Me (Siga-me).

"Rise up to a different sky
Leave the past behind
Aim for a future
Generation has been devoured
I won't fight alone
A silent leading flame"

"Erga-se para um céu diferente
Deixe o passado para trás
Almeje por um futuro
A geração foi devorada
Eu não lutarei sozinho
Uma silenciosa chama guia"

Essa música me grita "cientista na Idade Média que liderou/lidera uma revolução científica e foi tachado como herege pela igreja". É sútil, mas quando se conhece história, é fácil pegar essas referências. E o álbum é CHEIO de referências do tipo, à situação da ciência na Idade Média/Início da Renascença.


A próxima música é Sprouts of Terror, com esse título agourento que literalmente significa "Brotos de Terror".


"The weight of war in my hand cold
Death will follow me now everywhere I go
Defend the home where I belong
Justify my skills and bring the light"

"O peso da guerra em minhas mãos frias
Morte agora me seguirá a qualquer lugar que eu vá
Defender o lar onde pertenço
Justificar minhas habilidades e trazer a luz"


Pra mim, essa música fala sobre Joana D'Arc num certo nível. Existe uma referência clara à sonhos premonitórios e sobre defender o seu lar. Joana D'Arc dizia ter sonhos enviados por Deus que a levaram a lutar em defesa de seu país, a França, na Guerra dos Cem Anos. Serenity matador :P


Depois vem Iniquity, Iniquidade, com um arranjo instrumental e de letra incrível.

"I wished I could escape
Fly like birds are flying
Find a better place
Find my peace and home"

"Eu desejei que eu pudesse escapar
Voar como pássaros estão voando
Encontrar um lugar melhor
Encontrar minha paz e lar"

Essa música fala, do meu ponto de vista, fala sobre "crescimento" em quesito conhecimento e sabedoria, de alguém ignorante do funcionamento do mundo em vários sentidos para alguém que passa a entender como o mundo funciona, e como isso influencia em seu interior. O sujeito que canta na música fala sobre como a iniquidade (a insistência no pecado, dum ponto de vista cristão) aumenta e como não se pode permanecer cego a isso, mas ao mesmo tempo, o sujeito quer fugir disso. Fecha os olhos e deixa tudo isso para trás. Quer voar como os pássaros. O sujeito está cansado de ver o que vê, de saber o que sabe, e quer fugir disso.

Quem de nós nunca quis fugir ao menos uma vez ao ver toda a podridão no mundo? Corrupção, pessoas que não se respeitam, violência... É uma música forte que fala profundamente conosco.


Depois vem Reason. Razão.

"There's no way I will disappoint you
I will not refuse
A statement of hope
Your dedication will guide me through years
Years of decay
Human race in strain"

"Não existe como eu te desapontar
Eu não negarei
Uma declaração de esperança
Sua dedicação me guiará através de anos
Anos de decadência
Raça humana em deformação"

É uma música sobre um relacionamento. Que tipo de relacionamento? Um de confiança. Pela frase "enlighten hearts", "esclarecer corações" ao final da música, entre dois pesquisadores de algum tipo. Duas pessoas que se apoiam, com uma delas pedindo a confiança da outra e que confia nela totalmente, e que procura convencê-la de que a razão para eles é justamente esclarecer corações. Ensinar aquilos que eles sabem. E respeito e admiração, tão grande que um deles vai se apoiar na dedicação que viu no outro para seguir através dos piores anos que estão por vir.


E então vem My Final Chapter. Meu Último Capítulo. Dá pra imaginar o tipo pelo título...

"Here I lay all alone
It's my final chapter
Close to you
Close to reach the only one I ever loved
Your fields so green, your bluest sky
Beneath the deepest water
My everything
It's time to die"

"Aqui eu deito totalmente sozinho
É meu último capítulo
Perto de você
Perto de alcançar o único que eu amei
Seus campos tão verdes, seu céu mais azul
Abaixo da água mais profunda
Meu tudo
É tempo de morrer"

Preciso falar muito? É uma música extremamente linda e triste. O sujeito do ponto de vista da canção finalmente alcançou o que quer que seja que ele mais amou, pela descrição de "campos tão verdes" e afins, um país, uma ilha, um local. O lar de quem canta. E... Está prestes a morrer. Morrer tão perto de chegar em casa... Gente... Não dá. The feels... ç_ç


E Caught in a Myth. Pego em um Mito. A referência sobre quando os médicos e afins finalmente puderam praticar a necropsia nos corpos dos mortos (até 1500/1600, mais ou menos, o corpo era considerado sagrado e não podiam profaná-lo).

"Caught in this myth of ourselves long ago
It's time to break free
Split body and soul
The heart is no altar
The ribs are no dome
Just muscles and flesh
Down skin, up on bones"

"Pego nesse mito de nós mesmo há muito tempo
É tempo de se libertar
Separar corpo e alma
O coração não é um altar
As costelas não são um domo
Apenas músculos e carne
Abaixo da pele, acima dos ossos"

Essa música é de arrepiar. Vai direto no ponto dessa questão de "corpo do morto não é sagrado". Calma! Deve-se sim respeitar o corpo dos mortos, entretanto, esse corpo não é sagrado. Esse corpo é apenas uma casca que fica vazia quando a alma parte. "Separar corpo e alma". A música descreve exatamente essa relação de quando a necropsia de corpos humanos parou de ser proibida e foi permitida. Aí entrou o problema pra conseguir os corpos, mas isso é outra história... :P


A próxima é Fate of Light. Destino da Luz.

"Born in shadows of Renaissance
Faith and new science collide
Revolutions and all we've seen
Beyond these great gates of unknown"

"Nascido nas sombras da Renascença
Fé e nova ciência colidem
Revoluções e tudo que nós vimos
Além desses grandes portões do desconhecido"

Novamente, preciso falar muito? Tá escancarada a referência de quando a ciência se tornou mais livre (antes da Renascença existiam pesquisas científicas, entretanto, eram mais... Reprimidas num certo nível). Fala sobre finalmente ver a luz. Finalmente deixar para trás a escuridão da ignorância e ter a luz do conhecimento disponível.


A música seguinte, The Perfect Woman. A Mulher Perfeita. Primeiro eu interpretei como uma referência a lenda de Pigmaleão, mas com uma pintura ao invés de estátua... Agora... Me surgiu outra interpretação... xD

"I got a sensation that my creation in a quite disturbing way
has come to life
Determines direction, cries for perfection,
There's no chance for me to stray
day by day"

"Eu tenho uma sensação que minha criação de uma forma meio perturbante
veio a vida
Obrigatoriamente lidera, grita por perfeição,
Não existe como eu me desviar
dia a dia"

"Confie em mim mulher perfeita,/Eu te farei brilhar/Para sempre"... Considerando que o álbum permanece nesse período fim da Idade Média/Início da Renascença... Minhas apostas são de que a música fala sobre Da Vinci pintando a Mona Lisa. Olhando agora, faz tanto sentido isso... Até mais do que falar sobre Pigmaleão... Talvez tenha algo, mas é Da Vinci pintando a Mona Lisa. Nada agora tira isso da minha cabeça.


A próxima música é a música que mais me tocou, como bióloga e cristã. Spirit in the Flesh. Espírito na Carne.

"All the things I see given by the maker's hand
Leave me humble and I stand lost in wonder
It's a perfect alchemy and the undeniable sign
Of a spirit in the flesh, so divine (flesh so divine)"

"Todas as coisas que eu vejo dadas pelas mãos do criador
Me deixam humilde e eu paro perdido em admiração
É uma alquimia perfeita e o sinal inegável
De um espírito na carne, tão divino (carne tão divina)"

A música fala sobre um pesquisador estudando um corpo morto e sua impressão e maravilha e como ele se sente humilde ao estudar os corpos. Que ele vê a marca de um criador ao estudar os corpos e procurar entender como tudo funciona. É a minha música. Minha relação com o mundo.  Obrigada por fazer uma música que me define, Serenity.


A próxima música é The Order, A Ordem.

"And so it's time to face what's left of me
to lead me straight out of hell
Within these doubts within my broken inside
I will remain until eternity"

"E então é hora de encarar o que restou de mim
Para me guiar direto para fora do inferno
Dentro dessas dúvidas, dentro de meu interior quebrado
Eu permanecerei até a eternidade"

Essa música é tão trágica quanto My Final Chapter. Fala sobre alguém que se entregou a um ideal pregado por uma Ordem não-definida... E então descobriu a verdade sobre como era essa ordem e se desencantou. E quis fugir deles. E fala sobre como essa traição de seu ideal o destruiu. Ser traído por algo que você confia tanto, algo ao qual você dedicou sua vida... É triste. Vemos muito isso em livros de fantasia, como alguém, normalmente um líder, destrói os ideias de uma determinada organização e então ficam apenas os cacos daqueles que a seguiam. The feels, Serenity, the feels...


A próxima música é Forgive Me. Me Perdoe.

"I'm sorry
my world does a call
I altered to someone else
I can not deny it
I'm sorry
I beg you, don't cry
it's my fate to reach the sky
before our world has turned to grey"

"Me desculpe
Meu mundo faz um chamado
Me modifiquei para outra pessoa
Eu não posso negar
Me desculpe
Eu te imploro, não chore
É meu destino alcançar o céu
Antes que nosso mundo se tornasse em cinza"

Alguém que por alguma razão, aparentemente religiosa, mudou seu modo de viver, e precisou abandonar a pessoa que amava. E eu me recuso a falar mais sobre essa música porque se não as lágrimas vão começar a cair aqui ç_ç


E a "última" música (entre parênteses porque depois tem mais duas versões de My Final Chapter. É. Mais duas versões de uma música destruidora de corações), Sail, Navegar.

"There's a place out, on the ocean
far away from love's commotion
We could sail, we could sail
There's no wave to break the silence
Only driftwood left of violence
We could sail, we could sail
We could"

"Existe um lugar lá fora, no oceano
Muito longe das comoções do amor
Nós poderíamos navegar, nós poderíamos navegar
Não existem ondas para quebrar o silêncio
Apenas madeira a deriva que restou da violência
Nós poderíamos navegar, nós poderíamos navegar
Nós poderíamos"

Poderíamos partir desse lugar. Duas pessoas que querem ir para outro lugar. Muito bonita a música, e o arranjo de vozes e instrumentos combinou bem.


E encerro por aqui. Me abstenho de falar sobre as outras duas versões de My Final Chapter (uma com orquestra e outra apenas instrumental). Meu coração não aguenta tantos feels u_u

Enfim. O álbum é lindo. Magnífico. Serenity sabe me destruir com os feels e as referências (o álbum de 2007, Words Untold & Dreams Unlived... A primeira música, "Canopus", é uma referência DESCARADA de Duna. E o ritmo de " Reduced To Nothingness" me faz pensar terrivelmente em Pegasus Fantasy, a música de Cavaleiros do Zodíaco, mas a letra... Se é alguma referência, eu não peguei. Mas me faz pensar muito na tarefa de escrever e afins.)

Serenity é lindo S2





As letras das músicas vieram daqui: http://www.darklyrics.com/lyrics/serenityaustria/codexatlanticus.html

A tradução foi feita por mim mesma; caso notem algum erro nas traduções, me avisem, por favor :)