11 junho 2016

Espalhe Fantasia!

Pessoas lindas do meu S2

O Vagner, do grupo lindo do face "Livros de Fantasia e Aventura - Skoob" veio com essa ideia outro dia lá, de blogueiros e tals marcarem um dia para falarem e recomendarem 5 séries de fantasia publicadas no Brasil, nacionais ou estrangeiras. Não podia deixar de participar! S2

Pra quem acompanha o blog há algum tempo, provavelmente percebeu minha paixão pro fantasia. E mesmo se não acompanha, não é muito difícil de perder se olhar as minhas histórias ou as resenhas postadas.

Mas o que exatamente é fantasia?

Cada um vai te falar um coisa, ou melhor, definir de forma diferente. Pra mim, basta algo que envolva magia e/ou diferentes universos e/ou seres que fogem à realidade de certa forma (normalmente seres mitológicos). E à partir daí surgem ramificações... Fantasia Científica, onde temos fantasia mesclada ao Sci-Fi, cujos melhores exemplos é a saga Artemis Fowl, publicado no Brasil, e o universo de RPG Shadowrun, cujas novelas estão disponíveis apenas em inglês. O Grimdark, onde a fantasia está num mundo constituído de tons de cinza, onde atualmente se destaca a Trilogia dos Espinhos e As Crônicas de Gelo e Fogo, ambos publicados no Brasil. A Alta Fantasia, onde temos magos e o bem contra o mal (normalmente), entre outros elementos, representado muito bem por O Senhor dos Anéis e As Crônicas de Nárnia. Fantasia Urbana, onde a magia se passa num universo similar ao nosso, onde a magia normalmente é tratada como algo oculto; o maior exemplo desse subgênero é a série de livros Harry Dresden. Fantasia Sobrenatural, normalmente caracterizada pela presença de seres como vampiros e lobisomens em histórias que estão relativamente longe do horror onde normalmente às vemos (se tiver um YA no meio então, é romance pra todo lado. Normalmente xD). E tem a Medieval. E a Baixa. E dependendo de pra quem você pergunta, mais uns vinte tipos.

E mais um monte de interseções entre esses subgêneros e com outros gêneros. E cada um vai dividir de uma forma diferenciada. E normalmente deixar clássicos de fora.

"Clássicos fantásticos, Gabi?"

Sim, clássicos fantásticos. As tragédias e épicos gregos, com seus deuses e ninfas e todo o mais sempre tão presentes, são uma espécie de fantasia realística (que, eu sei, não mencionei ali em cima), onde a fantasia é o normal. A Epopeia de Gilgamesh, lá das bandas da Suméria, pode ser considerado um clássico de Espada e Magia. E A Divina Comédia, quer algo mais... Ok, não sei como exatamente classificá-la, mas que tem elementos de fantasia, isso tem. E Auto da Barca do Inferno, com o anjo e o demônio? Quer algo que se encaixa mais em fantasia que isso? A questão é que, normalmente, esses textos são classificados como "Épicos" (que do que me lembro das aulas de literatura não tem nada com o gênero Fantástico), ou entre uma dessas outras classificações clássicas que não incluem Fantasia, Sci-fi e outros gêneros de ficção que temos atualmente.

Com essas considerações feitas, vamos ao que interessa: Falar sobre 5 séries de fantasia publicadas no Brasil! :D


Foi difícil escolher. Muito, muito difícil. Primeiro pensei em "Harry Dresden", conhecido também "Dresden Files". Ai lembrei que, no Brasil, só o primeiro livro foi publicado pela agora falida Underworld. (mas se souberem inglês, coloquem na lista aí :P ). Depois veio Yelena Zaltana, ou "Study", em inglês. Riscado também: a Harlequim publicou só os dois primeiros livros físicos, o terceiro em ebook e então abandonaram. Não quero dar sugestões sabidamente abandonadas no Brasil pra vocês, já basta eu sofrendo por essas séries :(

Por cinco segundos pensei em Duna... Mas é ficção científica.

Após muita indecisão... E com a ajuda da Syba, claro... Finalmente escolhi 5 séries de fantasia publicadas no Brasil e que eu aprovo! (e uma delas é sem previsão de continuação. NÃO FOI CANCELADA, só não tem previsão. Infelizmente. ç.ç E uma menção honrosa muito bem merecida)



Trilogia Feita de Fumaça e Osso
Fantasia... Urbana com toques de Alta Fantasia? É... Essa trilogia é difícil de categorizar...


Essa trilogia é uma das melhores coisas que já li. É um YA, mas, diferente de muitos outros YA, não fica martelando na tecla do romance, colocando-o em primeiro plano no meio de um mundo de guerra e tals onde esse mundo serve na maior parte do tempo como pano de fundo mal utilizado. Muito pelo contrário.

Temos romance, temos situações fantásticas e incríveis, temos guerra, e tudo trabalha junto para a construção da história. Sem a guerra entre serafins e quimeras, o romance entre Madrigal e Akiva não teria acontecido, não da forma como aconteceu. Sem o romance deles, o final teria sido terrível. Uma coisa é consequência da outra e assim a história é construída. E a narrativa é uma das melhores que já vi. E o melhor: SEM TRIÂNGULO AMOROSO! *solta fogos* Laini Taylor faz um ótimo trabalho com a história.

Não me demorarei muito. Se quiser, eu resenhei a trilogia no blog. Pode acessá-las pelos links abaixo ;)


A Roda do Tempo
Alta e Medieval. Acho.

A Roda do Tempo. Ah. A Roda do Tempo. Com Aes Sedai e a Roda do Tempo e o Tenebroso e Ogier e Myrdraal e Trollocs e Ta'veren e... E... Gente, é muita coisa o_o Não sei por onde começar sem surtar e fazer vocês surtarem junto! O-O Robert Jordan criou um mundo muito extenso pra eu fingir falar bem e o suficiente sobre ele apenas em uma postagem!

Bem, o primeiro passo, acho, é falar que no total são 14 livros. E, diferente de Harry Dresden (também na faixa dos 14 livros), que os livros tem em torno de 300 páginas, o mínimo normal de Roda do Tempo é 500 pra mais. Tipo volumes de Crônicas de Gelo e Fogo mesmo. Mas a história é tão bem contada, os acontecimentos são tão intrigantes, é tudo tão interessante... Que você nem vê o tempo e as páginas passarem. Quando percebe, já acabou o livro. Já foi lançado até o 4º volume no Brasil, pela Intrínseca, e eu só não terminei de ler a série em inglês, por realmente querer saber como vai terminar, por um simples fato: vou sentar num canto e não saio de lá até terminar se fizer isso. Vou criar raízes! Esse é o nível de A Roda do Tempo.

A história conta sobre esse mundo rico onde o Tenebroso, a antítese do Criador, maculou a fonte de magia masculina, saidin, e por conta disso, os homens Aes Sedai, capazes de canalizar, enlouquecem. Esse tal está preso, mas querendo se soltar, e alguns Aes Sedai que foram aprisionados com ele, seus servos, já se soltaram. E a encarnação de Lews Therin, o Dragão Renascido, um homem capaz de canalizar, é dito que enfrentará o Tenebroso. Meio que ele destruirá e salvará a todos ao mesmo tempo. E, bem... As Aes Sedai, as mulheres capazes de canalizar, incrivelmente poderosas, responsáveis por cuidarem de outros homens capazes de canalizar que surgiram, obviamente querem manter tal Dragão Renascido sob controle. Elas querem. Elas conseguem? Até agora não. E vou parar por aqui: é realmente muito interessante descobrir sobre a história desse universo por si próprio e ir vendo os acontecimentos se desenrolarem e se entrelaçarem tão bem.



Foto antiga tirada com a câmera quando eu ainda era pior em fotografia. Preguiça demais pra tirar outra foto. Sorry.
Jack Farrell
Alta, Medieval e Infanto-juvenil e alguma outra coisa. Talvez mitologia? *expressão pensativa*

O nacional da lista. É uma história engraçada como descobri a série: encontrei o terceiro livro, "Jack Farrell e a Serpente Emplumada", na biblioteca do colégio durante o Ensino Médio. Não sabia que era o terceiro... Li e amei. E descobri que tinha mais. Só durante a faculdade que consegui adquirir os outros livros e descobrir a história toda. Para quem acompanha o blog: agradeçam o terceiro livro pela existência de Alanna, foi ele que fez eu me interessar por cultura Asteca. (E Martin Mystery, mas não vem ao caso).

A série conta a história de Jack Farrell, um jovem que quando velho o suficiente descobre sobre a Ordem do Templo, que remonta aos cavaleiros templários, ao qual ele pertence por hereditariedade. Por conta disso, ele vai para a Academia ou Universidade do Saber, onde ele irá aprender a ser um cavaleiro, matemática... E Arte Arcana aka magia, claro. E vai se meter em confusões com seus amigos, entre os quais um sátiro, e conhecer a rainha Skatha do Reino das Sombras, e outras coisas do tipo. E viajar no tempo nos segundo e terceiro livro, sempre se metendo em confusão. E umas aulas legais de história nos livros onde rola viagem no tempo.

A história é bem interessante, e a narrativa, ativa; e todos os livros possuem ilustrações lindas pra caramba. Infelizmente, o autor, Jean Angelles,  teve problemas relacionados à pagamento de Direitos Autorais, e atualmente está sem editora para continuar a série; como consequência, o quarto livro, "O Tesouro de Gilgamesh", ainda está sem previsão de quando irá sair, embora o autor tenha garantido numa entrevista ao final de 2015 que irá continuar a publicação da série, mesmo que vá para o financiamento coletivo.

Ai ai... *coloca Jack Farrell na pilha de leitura para reler enquanto não tem previsão do lançamento do quarto livro*




Créditos da Imagem: Art-Calavera
Geralt de Rívia
Grimdark? Baixa? Alta? Jesus sabe.

Conheci Geralt graças aos jogos. Via sempre nas lojas para vender "The Witcher 2 Assassins of Kings", e de tanto ver, acabei ficando curiosa. Baixei o primeiro jogo por curiosidade (época de pobreza. Uma das coisas que fiz com a bolsa do estágio foi legalizar minha condição com vários jogos. Ainda faltam vários, mas vou chegar lá. Os produtores desses jogos merecem), e me apaixonei pela história. Só muito - muito - tempo depois descobri sobre o jogo ter origem em livros.

A saga do Bruxo Geralt (Bruxeiro internet afora xD), escrita Andrzej Sapkowski, polonês, no primeiro livro, "O Último Desejo", gira em torno de contos de seus trabalhos como caçador de monstros e um plot central entre os contos onde vemos Geralt aos cuidados do templo de Melitele, majoritariamente. Por causa dessa organização, muita gente abandona a saga ainda no primeiro livro. Eu peço encarecidamente: deem mais uma chance, se for o caso; e se ainda não colocaram as mãos na saga, não se deixem abalar. No segundo livro, "A Espada do Destino", já vemos uma maior conexão; a estrutura de contos de certa forma se mantêm, mas a ligação entre eles e entre os contos do primeiro livro, além de Geralt, se torna mais visível, e à partir do terceiro livro, "O Sangue dos Elfos", as coisas já saem da estrutura de contos definitivamente.

Para aqueles que já jogaram ao menos o primeiro jogo, "The Witcher", é interessante muito interessante conhecer Jaskier, Triss, e outros personagens, e descobrir detalhes sobre determinadas situações, antes de Geralt perder a memória. Incluindo ver a primeira vez que Geralt quebrou a maldição da estrige/striga: a cena de abertura de "The Witcher" é, se minha memória de Dory não me engana, igual a como realmente é descrito no conto "O Bruxo". Para os fãs dos jogos, é realmente uma ótima pedida ler a série. E para quem não é fã também: a forma como o autor conta a história de Geralt e a faz avançar em meio ao problemas políticos (de reis e de feiticeiros) aos quais ele é meio que forçado a enfrentar são incrivelmente bem amarrados e desenvolvidos. É uma ótima obra sobre guerra e política e vingança e passado e profecia, assim que você passa pelo começo que afasta tantos. Especialmente porque a criança da profecia, diferente de tantas em tantas histórias que falam sobre "salvar", em Geralt de Rívia, veio para destruir.




Trilogia Cidade das Sombras
Grimdark? Baixa? Alta? Jesus sabe².

Outra coisa da lista "Baixei primeiro pra depois conseguir comprar". (Eu sempre faço isso: se li baixado, procuro comprar. Exceto livros em inglês, já que tá caro importar e eu estou longe de ser rica .-.').

O primeiro livro, "O Guardião", conta basicamente sobre a investigação do estupro e assassinato de uma menina (e, no decorrer do livro, outros assassinatos). Num mundo medieval com algo de magia decadente e cinzento, onde o tal investigador é um viciado em drogas e afins (se minha memória de Dory não me prega peças). A forma como Daniel Polansky conta a história conduz bem os acontecimentos e nos permite conhecer bem os personagens e visualizar o ambiente muito bem. Eu estava desconfiada de quem era o responsável pelos assassinatos, e acertei o quem, mas o motivo realmente me pegou de surpresa.

Ainda não li o segundo, tá na pilha de livros de leitura imediata aqui, mas também quero reler o primeiro livro, pra refrescar os acontecimentos, locais e personagens da história na cabeça, mas definitivamente é uma trilogia que pretendo terminar e que recomendo fortemente.

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Gabi queria fazer várias menções honrosas - Contos de Árian, Artemis Fowl, Coração de Pedra, O Lado Mais Sombrio, Trilogia Shiva, etc etc etc - mas bateu depressão por Artemis Fowl e Lado Mais Sombrio terem terminado, por não ter previsão de Contos de Árian continuar, por estar sem dinheiro pra completar Shiva... T-T

Syba: *cobre Gabi chorosa encolhida no cantinho chorando até desidratar* Bem... Hã... Já que Gabi está incapacitada de encerrar a postagem, a tarefa recai sobre mim... ê_e Agradecemos a visita no blog e a leitura da matéria, e esperamos que tenhamos ao menos despertado seu interesse para essas sagas de fantasia, ou para fantasia em geral. E, caso deem uma chance para essas séries, esperamos sinceramente que gostem.

E não esqueçam de conferir os outros blogs participantes da campanha, linkados abaixo: ao longo do dia eles farão suas próprias recomendações de séries de fantasia publicadas no Brasil :)

Syba e Gabi (ainda chorando no cantinho) enviam seus cumprimentos! o/

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