27 maio 2016

Resenha: Sonhos Com Deuses e Monstros


Editora: Intrínseca
Autora: Laini Taylor
Páginas: 558


 "Era uma sexta-feira quando eles apareceram, em plena luz do dia, do céu do Uzbequistão. Foram vistos pela primeira vez na velha cidade da Rota da Seda, Samarcanda, para a qual uma equipe de reportagem correu a fim de transmitir imagens dos... Visitantes.

Dos anjos.

Em formação impecável, era fácil contá-los. Vinte blocos de cinquenta: mil. Mil anjos. Eles seguiam na direção oeste, voando tão baixo que, das estradas e dos telhados das casas, dava para ver a seda branca ondulante de seus estandartes e ouvir a vibração das harpas." (pg. 17)

O que falar de "Sonhos com Deuses e Monstros", sem estragar totalmente o final, e ainda assim convencê-los a terminar a saga, caso estejam em dúvida? (e eu devia ter escrito a resenha logo depois de ler o livro, porque tá difícil lembrar os nomes de todo mundo ê_e)

Ok. Vamos começar do quote que abre a resenha. Dos "anjos" que vêm para a terra. Tudo consequência de Razgut, contar tudo sobre a Terra e suas crenças para Jael. Inclusive sobre as armas atômicas, que, claro, ele quer usar para acabar com as quimeras. Altas tretas para Akiva e Karou impedirem isso e que ele também domine a Terra, porque, né, anjos. Na Terra. Não terminaria bem.

Além de todos os problemas relacionados aos serafins inventando de aparecer na Terra, temos a introdução de diversos personagens, inclusive de uma... Humana?... Chama Eliza, que tem o dom da profecia. A história dela, o que ela passou, é tenso. Super tenso. E como exatamente ela entra na história? Basicamente o povo do laboratório onde ela trabalha foi chamado para investigar uns corpos achados no Marrocos... Corpos de quimeras. Sim, meus caros, os humanos encontraram o poço onde Thiago jogou várias quimeras mortas. Não bastasse os anjos, agora o "dimônios". Lá foi Eliza também. Só digo isso: se não fosse Eliza, o "final" (te juro que a próxima dualogia da Laini ainda está relacionada ao universo de Feita de Fumaça e Osso e que as coisas ainda não terminaram, não de fato) teria sido um desastre. Sim, porque ela é uma profetisa, não, não porque ela falou de uma arma oculta. E se não fosse Mik e Zuzana, Eliza não chegaria onde chegou. Amo esse povo todo :3

Continuando.

São inseridos também os Stelian, outra "linhagem" de "serafins", por assim se dizer, da qual a mãe de Akiva veio. E as revelações que eles fazem quanto à magia, o porque do preço da dor, e outra porrada de coisas... Ah, gente... Muito tenso. Muito tenso mesmo. Faz parecer os serafins se passando por anjos na Terra um nada.

Pronto. Chega de falar da história. Espero que tenha atiçado a curiosidade de vocês.

A narrativa de de Laini continua tão viva e intensa quanto sempre, trazendo facilmente os locais e emoções e todo o mais à nossa mente, nos teleportando maravilhosamente bem para o livro. Além disso, ela brinca muito bem com os pontos de vista e, mesmo numa narrativa em terceira pessoa, dá uma voz diferente à cada ponto de vista. Talvez seja difícil perceber de primeira qual personagem é o foco, mas dá pra perceber as diferenças.

Os personagens continuam com uma evolução incrível. Zuzana e Mik ganharam uma importância imensa no plano geral da história, e continuam sendo fofos e incríveis. E Ziri e Liraz... Nhom. Minha memória tá fraca pros detalhes da história, mas tenho a sensação de que rola um clima. E algo mais. E mesmo que seja só meu cérebro insano me pregando peças, shippo muito os dois. E claro, Akiva e Karou. É muito bom ver os dois chegando à um acordo com o que aconteceu, se entenderem.

Como conclusão da trilogia, o livro faz um bom trabalho para encerrar a fase "Karou" e "Serafins vs Quimeras" no universo de Eretz (eu juro que vem mais. Não tem como, uma parte ficou mega em aberto). Praticamente todo o mais foi fechado: Akiva e Karou, a questão dos serafins e das quimeras, quem são e o propósito dos Stelians, a magia... Mas algo revelado nesse livro ficou em aberto. De forma coerente. Dá pra ler a trilogia e pronto, imaginar como essa questão em aberto se fecha, mas ao mesmo tempo, há a possibilidade de, caso a Laini realmente vá escrever outros livros abordando isso, lê-los tranquilamente, tanto como uma nova série, sem ligação com Feita de Fumaça e Osso, como uma continuação. Ao menos é a impressão que tenho.

Foi um bom encerramento, que me fez ficar com saudades dos personagens antes mesmo de terminar.

E claro, obrigada, Intrínseca, por manter a capa original e por fazer um trabalho tão bom com tradução e diagramação :3


Classificação Final: