23 março 2015

Resenha: Crônicas de Myríade 2 - Tempestade de Areia



Editora: Cubo Mágico
Autor: Karen Soarele
Páginas: 307

"Ao seu lado, Qadir cutucou-o e falou baixinho:
- Se tem algo a dizer, diga agora.
Então Kaled levantou a cabeça, reunindo toda a obstinação que lhe era intrínseca, e falou alto e claramente:
- Não quero que ela seja morta. É ela, padrinho. Ela equilibra a balança do meu coração. Desejo que seja poupada, para que se torne minha esposa." (pg 180)

Agora quem equilibra a balança do coração do Kaled, só lendo pra descobrir. *risada maléfica imitando Saga de Gêmeos - engasga e Syba tem de socorrer*

Enfim. Antes de começar a resenha, tenho algo a declarar.

*sai e volta com um cartaz escrito Kaled ao lado de um coração. Pendura o cartaz atrás de si*

Ok, agora que meu amor pelo Kaled, esse personagem super interessante e bem desenvolvido está declarado, continuemos.

Ah, sim: talvez tenha spoilers do primeiro livro, Línguas de Fogo.

Muito bem. Kendra teve seu filho e o pobre Hart é que cuida da pecinha. A rebelião de Hynneldon passa por maus bocados. Desmond e Marian (que, assim como Hart, não mencionei na resenha de Línguas de Fogo) estão atrás de um apoio... Que não vou contar. Aisling e Dharon vão em busca da resistência mais ao sul. Aisling também está em busca de sua avó.

Alguma coisa dá certo? Claro que não. Se desse certo, perdia a graça. *apanha da Syba*

Pois bem. Depois de Vulcannus e Hynneldor, os cenários por onde Aisling e os demais passam se estende para Datillion e Kantheria. É em Datillion que conhecemos Kaled, vindo de A'hassunah, capital de Datillion e a Resistência do Sul. Não, ele não facilita as coisas: o trono de Datillion foi usurpado; seu pai, que era guardião do rei, foi morto. Kaled bem dizer quer ver A'hassunah queimar. Altas tretas. *apanha de novo*

Kendra está ainda mais obstinada na missão que o rei de Vulcannus entregou-lhe, e o pobre Hart só sofre nas mãos dela. Acontecem outras tretas relacionadas à ela e ao seu filho, mas... Leiam. Não conto.

Dharon é quem acaba encontrando a avó de Aisling. E, bem, numa situação longe de boa.

O suspense quanto à linhagem de Aisling e seu destino aumenta. Temos uma batalha feia numa cidade aí que não conto envolvendo salamandras. E Dharon... Dharon... *chora*

Os personagens estão mais maduros, mas mantiveram suas essências. O desenvolvimento deles melhorou, e muito.

A narrativa, comparada ao primeiro livro, também tive essa sensação de melhora. Amadureceu. Alguns pontos nos diálogos ainda me deixam meio "algo errado", mas é uma sensação menor que no primeiro livro.

Temos algumas ilustrações lindas no livro. De babar. Na minha opinião, ilustrações melhores que a da capa: podia substituir de boa, mantendo em preto e branco, e ficava uma capa incrível.

Aliás, já que entrei no assunto da capa: é bonita, mas particularmente achei carregada. Muitos personagens num mesmo ambiente, sabe. Temos Aisling e Dharon logo em primeiro plano, depois Marian e Kaled, Kendra montada em sua salamandra e Desmond ao fundo, ao lado de um... Minarete, imagino. Talvez ficasse melhor com os personagens mais espalhados pela capa ou com um deles em ponto focal e os outros tendo sua importância, mas não roubando a cena ou brigando pelo ponto focal, ao estilo de uma capa de Harry Potter.

Mais especificamente, o Cálice de Fogo: temos Harry em primeiro plano, segurando o ovo da primeira prova, com Cedrico, Fleur e Viktor ao fundo, mas de forma harmoniosa: eles não brigam pelo primeiro plano com Harry: não seguram nada muito brilhante nem fazem movimentos espalhafatosos; existem outros elementos, como a carruagem de Beauxbatons e o Cálice de Fogo na... Contra-capa? Verso? Sempre confundo. Mas esses elementos estão mesclados ao ambiente: a carruagem está ao fundo, um pouco embaçada pelo efeito de distância, e o cálice se mescla às paredes do labirinto. A capa de Enigma do Príncipe, embora tenha dois personagens principais em foco, eles se mesclam por causa dos tons verdes e da posição não-artificial que indica interação, criando um único ponto focal. Com O Prisioneiro de Azkaban (meu favorito :3) o foco é Harry montado no Bicuço; Hermione foi quase totalmente escondida pela asa do hipogrifo. A Câmara Secreta, vemos Rony e Gina só abrindo a capa inteira, de outro modo, Harry segurando a cauda de Fawkes. Os elementos não brigam. Estão em harmonia.

Já na capa de Tempestade de Areia, são três pontos focais principais e separados (um não leva a outro, como Fawkes leva a Harry): a salamandra, laranja e azul, com a boca aberta pronta para cuspir fogo; Aisling, segurando o arco; e a espada de Dharon, que é uma espada de duas mãos. Já Desmond praticamente some no fundo e Kaled fica ofuscado pelo cabelo escuro de Aisling e pelas escamas azuis da salamandra (o efeito conseguido com Kaled devia, na minha opinião, ser o efeito para os demais personagens em relação à Aisling: ele está lá e você o percebe, mas é ofuscado pelo elemento principal). Fica um pouco confuso, na minha opinião, na forma com foi organizado. Talvez ficasse melhor colocar Aisling em primeiro plano (afinal, é a principal nos livros) e organizar os demais personagens de forma que não roubassem a atenção dela.

E credo, quanta coisa sobre a capa eu tinha pra falar o_o' Ok que metade foi falando sobre as capas de HP, mas ainda assim... ê_e

Enfim.

Diagramação e revisão continuam de parabéns. Combinam lindamente com a história. E dessa vez, página amarelada! *corre em círculos*

A história continua se desenrolando; agora esperar por "Fração de Segundo" pra saber que que vai rolar...

Classificação Final: