16 fevereiro 2015

Arely A Mensageira - Capítulo 8: Buscar

PARTE 2:
INCÔMODAS VERDADES

"Mentiras, verdades, verdades, mentiras... Mentiras que consolam, verdades que machucam. Qual você prefere?"


BUSCAR

Adrien bufou, arrumando mais uma vez a gola da jaqueta jeans e afastando alguns fios do cabelo que caíam pelo rosto e obstruíam um pouco sua visão – diferente de Alexandre e Jean, simplesmente não conseguia deixá-los presos, odiava que ficassem caindo em cima dos olhos, e ainda não conseguia a coragem de cortá-los.

Olhou de novo o celular que comprara para a cidade, vendo que era meio-dia e trinta. Suspirou, saindo do quarto. A reunião iria começar à uma da tarde, na casa principal do clã Assaliah, cujos ancestrais tinham vindo de Jerusalém e tinham se mantido neutros na questão de Arely, pelo simples fato da garota não ter sangue judeu – se havia algo a não se duvidar, era de que os Assaliah eram judeus Lycans ortodoxos, com alguns dos melhores Observadores que já tinham existido vindos deles e outros clãs judeus. Alguns Observadores inclusive desconfiavam que a ordem começara com esses clãs.

Estava guardando os celulares no bolso da calça jeans, quando o aparelho mais novo tocou. Olhou a tela, vendo-o marcar que quem ligava era Allan. Franziu as sobrancelhas, atendendo-o.

— Está tudo bem?

Não, não está! Arely sumiu! E se meu pai tentar me convencer que a culpa não é dessa maldita burocracia que te impediu de se aproximar dela, ou que ela não é o que nós dissemos que é, eu juro que dou um jeito de virar Observador pra ele ter de se virar pra encontrar outro Alfa decente!

Adrien estancou no meio da escada, sentindo a raiva borbulhar dentro de si.

Louis conseguira.

De novo.

Inferno, seu irmão gêmeo conseguira de novo! Era tudo o que se passava em sua mente quando socou a parede, abrindo um rombo no local, antes de sair correndo – anotou mentalmente que teria de compensar o dono do local... Nada que Jean não pudesse resolver.

Era bom que todos aqueles malditos líderes de clãs fizessem algo para encontrar Arely; se não o fizessem, bem, cedo ou tarde convocaria todos os Observadores vivos para acabar com aqueles malditos Alfas burocratas e colocar os caras certos no posto, ignorando o que quer que a ordem da linhagem dissesse.

Estava cansado dos idiotas dificultando a tarefa dos Observadores apenas por sentirem seus poderes ameaçados.



Allan praticamente esmurrou a porta do escritório do pai, controlando por pouco sua força para que não derrubasse a mesma – mas não o bastante: uma trinca surgiu na madeira, tão longa quanto seu antebraço. Já bastasse que ele estivesse com raiva, não precisava que o pai também estivesse no mesmo estado.

Alexei abriu a porta, os olhos irritados refletindo o brilho azul dos do filho mais velho, olhando de forma reprovadora para o rapaz à frente. Acostumado, Allan não se deixou intimidar pelo olhar.

— Eu já ia sair para a reunião... – o Alfa começou, mas Allan o cortou – de forma ousada e, até ele admitia, estúpida: ele ainda seu pai e Alfa do clã.

— Ruby acabou de ligar. Arely sumiu. – seu pai piscou, o brilho azulado sumindo, surpreso e sem palavras. – Vocês ficaram tão presos aos seus procedimentos, que Louis e os Bruxos conseguiram capturá-la. Satisfeito? – trincou os dentes, e a fúria do pai se reacendeu, junto do brilho.

— Se eles conseguiram, é porque a segurança que você armou não foi suficiente... – semicerrou os olhos, mas Allan não o deixou terminar.

Inferno! Quantas vezes vamos ter de dizer que sentimos o cheiro de Jabez e Sabri?! E Ruby disse que sentiu o cheiro do Sandman na casa da Arely! Inferno, pai, admita que nós não fomos mais do que uma pedra no sapato deles! Se eles não quisessem fazer isso sem levantar o alarme imediatamente, para terem mais tempos, bastaria que marchassem até nós e acenassem os dedos para nos matarem! – sua gritaria chamou a atenção de alguns dos primos mais novos e de sua mãe e tia, presentes para ajudarem no plano de Ruby de arrumar uma festa para Arely, acumulando-se no corredor. Os que tinham menos de doze anos e todos que ainda não controlavam bem a transformação tinham ficado de fora de todas as discussões sobre a humana, e agora olhavam com olhos espantados para o próximo Alfa apenas de bermuda, brigando com o pai, o corpo ondulando levemente enquanto tentava se controlar para manter a fera dentro de si. Se transformar numa semana de lua cheia estando tão irritado com certeza provocaria acidentes – principalmente num ambiente fechado.

Alexei fitou o filho com preocupação. Aquele... Fervor, não era normal. Não em Allan. Em Ruby, talvez, mas não no mais velho. Por um instante, poderia jurar que os olhos de Allan brilharam amarelos, mas logo voltaram ao profundo azul influenciado por suas emoções. Quase suspirou aliviado ao constatar que fora apenas impressão.

— Por que tanta raiva, Allan? Era apenas uma humana. – tentou demonstrar frieza, mas por dentro, pensava consigo mesmo como informaria aquilo aos Alfas e Betas dos clãs que tinham se interessado na garota. Viu o queixo do rapaz cair com descrença.

— Como assim, apenas uma humana?! A garota tem um pedaço de espírito de Anjo! Ela é uma MENSAGEIRA, não importa o quanto vocês queiram acreditar que NÃO, apenas pra continuarem com as bundas sentadas nas cadeiras, sem se envolverem nos problemas fora de seus territórios! Não foi um simples Vampiro e simples Bruxos que foram atrás dela! Foi Louis, o General deles com a morte de Savino, e Sabri, Jabez e Sandman, os primeiros e mais poderosos Bruxos! – Alexei olhou preocupado ao redor, vendo todos olharem com estranheza para Allan, exceto por Aldina e pela irmã caçula de Alexei, Emanuele. O pai de Matheus e atual Beta, o segundo irmão de Alexei, estava cuidando do treinamento de alguns dos garotos em outra casa do clã, isso se já não estivesse vindo buscá-lo para seguirem para a reunião.  Emanuele começou a espantar os demais do corredor, enquanto Aldina se aproximava do filho.

— Allan, meu filho, você não acha que está exagerando...? – começou, tocando-o no braço, mas o Lycan afastou o toque com um sacudir.

— Fique fora disso, mama. Meu problema é com o papa e esse bando de Alfas idiotas. Por causa deles, Adrien não pôde se aproximar de Arely e agora Louis conseguiu levá-la. – deu uma pausa quando o celular, ainda em sua mão, tocou, mostrando que Ruby ligava, antes de atender. – Descobriu alguma coisa?

Com o pouco que aprendi sobre como sondar o plano espiritual com o Adrien... Parece que todos que estavam vigiando a Arely durante o dia tiveram as energias drenadas por demônios e espíritos atormentados pouco antes de quando ela sai pra ir pro colégio. Por sorte, os demônios e espíritos ficaram satisfeitos antes de mata-los, mas eles vão ficar um bom tempo meio grogues.

Ruby desligou, e Allan respirou fundo, parcialmente aliviado por saber que os parentes encarregados de Arely naquele dia ficariam bem. Fez uma carranca para o pai.

— Satisfeito? Se não fosse por pura sorte, todos que estavam vigiando a Arely hoje estariam mortos por causa de espíritos e demônios sugando a energia deles. Por sorte, só ficarão um bom tempo grogues. Se ainda precisar de alguma prova de que a Arely é uma dos Velhos Líderes e Guerreiros, é melhor passar o cargo de Alfa pra mim de uma vez, porque você está completamente cego. E eu vou nessa reunião, afinal. – deu as costas ao pai, voltando para o próprio quarto rapidamente. Ia apenas colocar um par de tênis e uma camiseta. Antes, não pretendia ir na tal reunião, mas agora, sendo ele um dos responsáveis pela segurança da garota, era sua obrigação estar presente.

Alexei e a companheira apenas ficaram no corredor, observando o caminho por onde o primogênito acabara de sumir. Aldina então suspirou, olhando para o Alfa, cujo olhar no rosto ainda era aparvalhado pela ousadia que o filho tivera.

— Quando foi que deixou de ser como ele? – murmurou, lembrando de quando casara-se com o Lycan a sua frente. Eram pessoas quase estranhas agora, se comparados. Mas Allan, o filho mais velho... Tinha muito do antigo Alexei. A mesma paixão. O mesmo fervor.

E então, também deu as costas para o Alfa, indo cuidar de seus afazeres, pedindo à Deus em seus pensamentos que a garota estivesse bem e que a encontrassem antes que fosse tarde demais.



Ruby suspirou, seguindo para o lugar da reunião.

Não fora convidada, mas Matheus estava no grupo que vigiava Arely naquele dia, e o próximo Beta não estaria em condições por no mínimo duas semanas de agir como costumava, e nem de ir à reunião, como tinha decidido antes que iria. O próprio dissera isso e praticamente ordenara que a prima fosse em seu lugar. Ainda estava meio incerta sobre ir ou não, quando Adrien ligou e ordenou de fato que ela fosse— e sendo ele um Observador mais velho e seu mestre, ela não teve outra alternativa.

Parou, esperando que pudesse atravessar a avenida, esfregando os olhos. Tudo estava indo errado. Absolutamente tudo.

Era para ela estar levando Arely à sua casa. Apresentando-a à sua família e começando sua festa de aniversário. Era para Adrien convencer aquele bando de idiotas a deixá-lo se aproximar de Arely e aparecer durante a festa. E então cantariam parabéns, e ela e o Observador protegeriam a humana e a ajudariam a dominar seus poderes quando a hora chegasse. Iriam ajudá-la a superar seus medos para que pudesse entrar na Catedral. Mas agora tudo que devia estar acontecendo era que Louis e os Bruxos estivessem trabalhando para transformá-la em mais uma Bruxa.

Depois que começara a treinar com Adrien no pouco tempo livre que ambos tinham, Ruby já aprendera várias coisas, e sabia que tinha ainda mais para aprender. Apenas sobre os Mensageiros e Bruxos, aqueles em quem ela mais devia se focar no momento, o que aprendera a deixara, sinceramente, assustada. Por respeito, ela não pedira detalhes sobre aquilo que seu irmão lhe contara; se o próprio Adrien não mencionara, não tinha porque ela perguntar. Ela esperava isso, ao menos.

Quando ele dissera que Arely possuía parte do espírito vindo de um Anjo – ela não sabia que a humana era uma Mensageira até aquele momento –, lembrava que seu queixo quase atingira o chão, e a coisa só piorou quando ele explicou o que esse pedacinho celestial garantia aos Mensageiros, informação “sonegada” aos clãs em sua maioria: uma resistência quase sobrenatural a doenças e venenos, cicatrização acelerada, fácil coagulação do sangue no caso de cortes – o que explicava porque os cortes nos braços de Arely mal tinham sangrado –, o dom da cura, que dependendo do Anjo que doara o pedaço de espírito, podia ser mais forte ou fraco dependendo da área – doenças, venenos, ferimentos, etc –, a autoridade quase impossível de contrariar para expulsar demônios e espíritos, o dom para as palavras que conseguiam incentivar ou amaldiçoar alguém do seu próprio jeito, a capacidade de ter visões, baseadas nas ondas e auras do plano espiritual, e a que costumava atormentá-los no início, antes de dominarem seus dons, a capacidade de ouvir o que ele chamava de Espírito Santo – outros Observadores chamavam de maneiras diferentes, de acordo com a própria crença – dizia, estando acordado ou dormindo. Nesse ponto, a mente de Ruby entrara em parafuso, até Adrien conseguir explicar que os sacerdotes, independente da igreja, eram visitados pelo Espírito Santo – ou deveriam ser –, por isso o que diziam costumava ser menos confuso. Mensageiros só falavam em enigma porque era assim que a mensagem chegava. Eles não a visualizavam e ouviam, apenas ouviam. Era algo meio confuso para entender de uma vez, e isso ainda garantia nós em seus neurônios toda vez que refletia sobre o assunto.

E só então, após explicar mais ainda sobre os Mensageiros, ele falou sobre os Bruxos. Que eram pessoas que tinham nascido com parte do “espírito”, ou o que quer que fosse, de um Demônio. Aparentemente, isso proporcionava “dons” diversos para cada Bruxo. Mas o que realmente a assombrou e deu-lhe vontade de vomitar foi descobrir que muitos Bruxos antes foram Mensageiros, não apenas Sabri e Jabez, os dois primeiros. Ela já sabia que um Mensageiro mordido por um Vampiro se tornava um Bruxo, porque o pedaço celestial de espírito se corrompia. Mas ela não sabia que muitos Mensageiros, quando matavam e perdiam o pedaço celestial, se não enlouqueciam e se matavam, buscavam os Vampiros e Bruxos e praticamente imploravam para que o pedaço de um Demônio fosse colocado no lugar. Adrien dissera que desde que os Bruxos tinham surgido, pelos menos cinco surgiam daquele jeito durante as batalhas, quando Mensageiros não eram um tipo em extinção.

Alcançou o quarteirão da casa onde a reunião ia ocorrer, refletindo sobre a personalidade de Arely. Teriam de cuidar dela ao máximo quando a encontrassem. A humana era inegavelmente estourada à sua própria maneira. Qualquer um que não a irritasse ou que passasse pouco tempo com ela veria apenas a garota calma que limitava-se a lançar “falsos” olhares assassinos. A verdade era bem outra, principalmente se estivesse falando de alguém que ela amava e queria bem. A Lycan não duvidava, nem por um instante, que se confrontada entre ter de matar alguém para salvar outro e deixar alguém morrer, ela mataria para salvar.

Suspirou, balançando a cabeça. Não, não, estava se esquecendo de considerar o lado religioso das muitas facetas que compunham a garota.

Arely realmente se esforçava para não quebrar os dez mandamentos. Ela definitivamente não queria condenar a própria alma. E não matar era um dos dez mandamentos.

Mas, enquanto tocava a campainha da casa, não podia deixar de se perguntar se a garota conseguiria conter a fúria quase incontrolável que qualquer um sentia ao ver alguém que ama ser ameaçado.

Ou ser morto.



Já estava praticamente correndo quando chegou à rua da casa dos Assaliah. Faltava quinze para a uma, e à distância, pôde finalmente ver Ruby, não apenas farejá-la. Acelerou, e em menos tempo do que um humano seria capaz, tinha percorrido os três longos quarteirões e parado ao lado da Lycan.

Ruby sorriu-lhe de leve. Um sorriso, que como o olhar, estava cheio de dúvidas e preocupações, que ele desconfiou refletir parte do que havia em seu rosto. A aprendiz de Observadora provavelmente pensava o mesmo que ele: que talvez Louis tentasse obrigar Arely a matar alguém, para que pudesse injetar parte de um demônio nela. Ou então simplesmente mordesse-a. Não havia como saber.

Para piorar seu humor, ao tentar rastrear o espírito da Mensageira através do plano espiritual, só conseguiu encontrar os espíritos atormentados dos mortos, demônios e pessoas infelizes de sempre. Sabri ou Jabez deviam ter lhe dado algo para impedi-la de ter contato com o plano espiritual. Ou talvez Louis já tivesse a transformado numa Bruxa, o que tornaria o espírito dela diferente e, portanto, ele teria rastreado a garota, mas não reconhecido. Sinceramente, ele não sabia o que o assustava mais.

No instante que uma Lycan de rosto severo e cabelos cobertos abriu o portão fechado, um Vectra prata parou quase que cantando pneu à frente do local, e Allan e Alexei desceram do carro, enquanto Fabrízio, pai de Matheus e atual Beta dos Carvalho, estacionava o carro mais ao fim da rua. Pouco depois, juntou-se ao grupo.

Alexei não escondeu a careta de desagrado ao ver a filha ali, mas, sendo ela agora oficialmente aprendiz de Adrien e, portanto, respondendo apenas a ele e não mais ao Clã, não podia falar ou fazer nada. Isso provocou um repuxar de lábios satisfeito do Observador.

E só então, com o grupo completo, a Lycan abriu espaço, deixando que entrassem.



Alexei e Fabrízio sentaram-se lado a lado, Allan em pé entre as cadeiras um passo atrás. O Alfa e o Beta estavam sentados a uma mesa de madeira escura entre outros tantos Alfas e Betas acompanhados de seus herdeiros, embora não fossem todos – a maior parte ainda não tivera filhos. Adrien sentara numa das cabeceiras, de frente para a Alfa dos Assaliah do outro lado, com sua Beta em pé atrás dela, sem sinais de seus herdeiros. Ruby colocara-se atrás de Allan, afinal era sua aprendiz, as mãos pousadas no encosto da cadeira, inegavelmente apertando a madeira com raiva.

Ali estava ela, diante de todos os idiotas que tinham barrado Adrien. Eram eles os culpados por sua maninha ter sido capturada. Ela sequer tentava esconder sua raiva. Lutava para manter sua fera controlada, mas não o suficiente para impedir que seus olhos, ao invés do belo cinzento, brilhassem como bronze derretido. Aquilo somado à aparência naturalmente ameaçadora de Adrien à sua frente bastou para ferver os ânimos dos demais, com olhos azulados pipocando pela sala.

— Agora que todos os líderes dos clãs da cidade de Goiânia e arredores estão presentes, dou iniciada essa reunião que tem por objetivo decidir que afinal será feito da garota humana chamada Arelyel Erich Silva. Eu, Kaylah Assaliah, como Alfa de um dos poucos clãs que manteve-se neutro nessa questão anteriormente, irei presidir a reunião. Aviso que, caso se exaltem, não destruam nada que me pertença. Irei mandar a cobrança se o acontecer. – a Lycan tinha os olhos brilhantes e azuis, cujos quais Ruby teve a sensação de serem mais brilhantes do que de qualquer Lycan que tivesse visto. Bastou lembrar-se que os Assaliah eram de uma linhagem provavelmente sangue-puro para chutar aquele pensamento para longe.

Por um instante, houve o mais profundo silêncio. Todos, momentaneamente, viraram os olhares para Adrien e Ruby, como se os culpassem por terem de estar ali de novo. Não fosse aquela insistência dele em se aproximar da garota, não teriam de aturar Kayla. Nenhum deles suportava a pose de superior que a Alfa tinha por causa de seu “sangue-puro”, já que ninguém em sua linhagem tinha sido transformado ou tido algum ancestral humano. Era realmente irritante que às vezes ela esfregasse isso na cara de alguns – como os Carvalho, que definitivamente eram sua vítima favorita. No entanto, quando Ruby se colocou atrás de Adrien, com os olhos amarelados, qualquer um pode perceber a raiva da Alfa por ter sido uma “mísera mestiça” que fora escolhida pela Catedral após quarenta anos. Mesmo que todos estivessem com raiva dos Observadores por trazê-los ali, a maioria não negava que estava satisfeita por ver Kayla em seu “devido lugar”.

E então, um Lycan de pele negra com os olhos brilhando azuis de uma mistura de raiva e ansiedade, destacados pela ausência de cabelo, manifestou-se. Ruby registrou que era o Alfa do clã Maisha, cuja origem remontava à época da escravidão, após um Lycan atacar alguns escravos de uma fazenda. Era um dos poucos clãs que não se limitava à apenas uma região: seus integrantes estavam espalhados pelo país, e cada Alfa costumava escolher um lugar para ficar. Aquele escolhera Goiânia, e pelo que se lembrava, era um dos mais interessados em Arely – inclusive fora ele que começara aquela confusão toda, se ela lembrava direito.

— Como aparentemente ninguém quer iniciar essa reunião, então, eu me encarrego da árdua tarefa. – Allan permitiu um repuxar de lábios com a frase. Pelo que se lembrava da última reunião, fora aquele Alfa que convencera seu pai a convocá-la e quem começara a discussão. Mas engoliu em seco quando o Alfa virou-se na direção de Alexei. – Como a garota está?

Alexei franziu as sobrancelhas. Esperava que alguém perguntasse, mas não tão já. Fechou os olhos e respirou fundo. Olhou então para a filha, distante dele uns bons catorze lugares, e então para o irmão ao seu lado. Queria ter podido olhar para o filho, mas isso não era possível.

Ajeitou-se melhor na cadeira, contou até três, e soltou a bomba.

— Ela foi capturada hoje, durante a manhã.

E quando ela explodiu, foi ainda pior do que ele imaginava. O Alfa dos Maisha urrou de raiva, as orelhas já demonstrando sinais de que ele perdia o controle e estava prestes a se transformar – Allan lembrou-se de que o homem era somente cerca de dois anos mais velho que ele, mas ainda assim, parecia ter menos controle sobre a própria fera do que o Carvalho tinha aos treze. Outros Lycans estavam quase tão irritados, mas nenhum prestes a se transformar. A Beta dos Maisha, claramente irmã do outro Lycan, levantou-se e forçou-o a manter-se sentado em seu lugar, os músculos dos braços e as veias do pescoço saltadas com o esforço de controlar um Lycan adulto louco para se transformar. Todos falavam ao mesmo tempo. Todos berravam. Ninguém ouvia ninguém.

E então, Kayla uivou, e todos silenciaram. Ela virou seus olhos azulados para Alexei, fitando-o atentamente. Provavelmente, estava descendo os Carvalho mais um nível em seu conceito – foi isso que Allan deduziu.

— Poderia nos explicar como isso aconteceu, Alexei? Você é atualmente o Alfa mais velho da cidade. Sem dúvida que você seria capaz de armar uma segurança decente para Arelyel...

— Arely. Ela prefere ser chamada de Arely. – Ruby falou antes que pudessem dizer mais alguma coisa, e Adrien mostrou um sorrisinho sarcástico. Observadores tinham de ser assim, com personalidades fortes e desafiadoras – especialmente quando tinham de lidar com líderes idiotas.

— Me desculpe, filhote, mas não estava falando com você... Além disso, pouco me importa como a humana goste de ser chamada... – Kayla semicerrou os olhos na direção da Lycan mais nova. Prevendo uma resposta ácida da mais jovem, Adrien resolveu intervir – ele odiava ter de agir como um político, mas agora era necessário. Alexandre iria atormentá-lo enquanto vivesse por causa daquilo... Perguntou talvez pela enésima vez como que os Lycans tinham se deixado contaminar pela mania de política dos Drachens e dos humanos.

— Minha cara Kayla... Em primeiro lugar, mais respeito para com Arely. Está falando de uma Mensageira. E garanto que apesar da cara de santa, ela pode ser bem cruel com as palavras. Está no espírito dela, sabe... – notou a Assaliah empalidecer um pouco, o que só ficou mais evidente devido ao lenço escuro que cobria seus cabelos. – Em segundo lugar, mais respeito com a primeira Observadora a ser chamada em quarenta anos... E também a sobrinha de Alexandre. – Kayla bufou de leve. Ela com certeza ainda se lembrava do pequeno incidente que seu antigo aprendiz armara pouco menos de trinta anos atrás... Adrien sabia da cicatriz que a Alfa tinha no peito, vinda das garras de Alexandre durante uma luta da qual ninguém lembrava o motivo. Pensando bem, com Kayla e Alexandre envolvidos, eram necessários poucos motivos para que uma luta começasse. – Em terceiro lugar... Meu caro Alexei esqueceu de falar que meu irmão gêmeo está na cidade. E também os primeiros Bruxos.

Sua voz perdera totalmente o tom sarcástico. Estava sério, preocupado e com uma nota de aviso clara no tom de voz: se ela já foi transformada em Bruxa, a culpa é de vocês por não me deixarem aproximar-me dela, e isso vai ter troco.

Kayla estremeceu visivelmente com a menção aos primeiros Bruxos. O Alfa dos Maisha acalmara-se, ainda em choque com a revelação, embora ninguém soubesse exatamente qual delas mais o chocara.

— Aquela humana... É uma Mensageira? – foi notável que o mesmo Alfa descontrolado tenha sido o que teve coragem de cortar o silêncio. Adrien limitou-se a balançar a cabeça afirmativamente. – Então, foi só por isso que tantos de nós se sentiram atraídos por ela... – Havia uma nota de tristeza mesclada com fúria contida em sua voz, mas Adrien sentiu uma calma estranha em seu espírito, como se ele esperasse por aquilo.

Ruby e Allan olharam-se momentaneamente, comunicando-se através do olhar, como vinham aperfeiçoando como mestre e aprendiz. Foi quando Ruby começou a falar, antes que Kayla pudesse dizer alguma besteira que lhe desse mais vontade ainda de rasgar sua face.

— Não foi apenas esse o motivo, senhor... – Todos viraram-se para ela, e a Observadora engoliu em seco. Era agora. Não podia falhar. Tinha de fazê-lo por Arely. Sua maninha era realmente uma pessoa incrível. Não era tudo fruto de seus dons. – A maninha é realmente uma pessoa incrível. Convivi duas semanas com ela, só faltando me mudar para a casa dela. – alguns lançaram olhares em sua direção que claramente condenavam e consideravam que ela tentava influenciar nas decisões da garota. Por um instante, aqueles olhares a sufocaram, mas Allan a socorreu.

— Ruby nunca fez algo que tentasse influenciar Arely. Acreditem, se não fosse por minha irmã, as coisas teriam entornado muito antes... – acenou de leve para a Observadora, e ela não conseguiu segurar um suspiro de alívio. Definitivamente, ela nunca teria prestado pra ser sequer Beta.

Só então percebeu que amassara o encosto da cadeira, de nervosismo. Sentiu uma das mãos grandes de Adrien bater de leve numa das suas, enquanto esperavam que o silêncio dos líderes se quebrasse.

Ruby olhou de relance para Allan, e viu-o dar-lhe um sorriso orgulhoso. Sorriu fracamente em resposta. Queria falar muito mais, dizer que se eles não os ajudassem a encontra-la, que se Arely já fosse uma Bruxa quando a encontrassem, eles se arrependeriam profundamente, mas as palavras pareciam entaladas na garganta.

Foi a Beta dos Assaliah quem falou.

— Ruby, estou certa? – a Observadora afirmou. – Por que referiu-se à Arely como “maninha”?

Ruby piscou, surpresa. Nunca chamara Arely de maninha na frente de alguém, apenas em pensamento. Mas então sorriu, orgulhosa. Como já dissera, Arely era uma pessoa incrível. Não era vergonha chamá-la de “irmã”.

— Chamei-a assim pois foi o que ela se tornou pra mim. Eu vou protegê-la enquanto puder. A irmã gêmea que eu teria, que nasceu morta... Com certeza só foi assim porque, caso contrário, eu não iria querer proteger a Ly com tanto afinco. Tenho certeza de que a alma que estaria na minha irmã gêmea é a alma que está em Arely. – ela sentiu um sobressalto no espírito de Adrien e no de seu irmão. Pudera, nunca falara aquilo à ninguém. Mas era isso que sentia. Ela e Arely só não tinham nascido da mesma mãe, na mesma família, porque Deus ou qualquer que fosse o ser superior responsável por tudo aquilo assim quisera. Era a única explicação que ela encontrava para aquela ligação tão forte que sentira com ela na primeira vez que a vira.

A Beta suspirou, e baixou a cabeça. E então, um silêncio que Adrien julgou amaldiçoado seguiu-se. Quando ninguém mais falara após meia hora, ele definitivamente irritou-se e socou a mesa, abrindo um rombo, um trinco que seguiu a mesa inteira e espalhou farpas em todas as direções. Viu Kayla começar a falar, mas interrompeu-a.

— Fale com os Observadores Drachens. Ou melhor: com Jean. – não conseguiu impedir um sorrisinho cínico. Lycans judeus odiavam tratar com Drachens – sinceramente, ele ainda não conseguira definir qual era o pior quando se tratava de dinheiro – e Jean era um dos piores, apesar de ser jovem para os padrões Drachens. – Olha, eu realmente não estou com paciência, porque faz quase um século que Mensageiros não nascem. Além disso, eu não contei à minha aprendiz, mas os poderes de Arely já estão despertando. Pelo que consegui averiguar, o espírito de Elizabeth conseguiu abrir uma fresta no muro que impedia os poderes de se manifestarem até os dezesseis anos. Ela realmente vai precisar ser acompanhada e treinada...

— O espírito de Elizabeth? – ele não identificou o clã do Beta que falara isso. Sinceramente, estava pouco se lixando. – O que Elizabeth queria?

— Sinceramente? Não faço a mínima ideia. Ainda estou tentando descobrir o objetivo dela ao me amaldiçoar, mas, sem sucesso... – respondeu com um encolher dos ombros largos. – O fato é que temos de achar Arely.

— Sejamos francos, Observador Adrien. – a Alfa que começara tinha um inegável tom de respeito ao dirigir-se ao Lycan. – Se os poderes dela ainda estivessem adormecidos, ainda teríamos alguma chance... Provavelmente, não se arriscariam a transformá-la até que eles despertassem, o que garantiria que seus poderes Bruxos estivessem no máximo. Mas, se eles já começaram... Provavelmente, ela já deve ser uma Bruxa a essa hora. – era óbvio que ela tinha pesar em falar daquele jeito, mas não queria se enganar nem enganar ninguém. – Eu acho que é perda de tempo tentar encontrá-la.

Kayla então pareceu voltar a respirar, as ideias em seus devidos lugares.

— Como a senhora bem expôs, provavelmente a garota a essa hora já é mais uma Bruxa. – olhou então para todos os demais. – Eu também acho que é perda de tempo buscar a garota. Mas façamos uma votação. Os clãs a favor de não ser feita uma busca, levantem o braço. – o Alfa dos Maisha, apesar da insistência da irmã, manteve os braços firmemente cruzados. Allan notou uma espécie de luz em seu olhar que ele achou estranha, mas não julgou. Fora ele quem começara aquela história de proteger Arely. Talvez fosse o único que se aproximava de sentir de fato algo por ela.

E então, ele teve vontade de realmente já ser Alfa dos Carvalho quando Alexei, hesitantemente, ergueu o braço. Olhou então ao redor. Além dos Maisha, apenas mais três clãs queriam buscar Arely – isso de um total de vinte e seis clãs, os Assaliah inclusos. Bufou então.

— Covarde, idiota e hipócrita. – praticamente cuspiu no pai. Não acreditava que ele realmente estava abandonando a garota que tantos do clã quase tinham morrido para proteger. – Já se esqueceu de todos dos Carvalho que quase morreram por causa de um espírito ou demônio qualquer que os enfraqueceu para que pudessem levar Arely? Devia honrá-los. – e então, para assombro de outros que seriam os próximos Alfas, saiu de perto do pai e colocou-se ao lado da irmã, apertando de leve seu ombro. Viu um olhar de tristeza no rosto de Alexei, mas não cedeu. O Lycan realmente não acreditava que o pai fosse capaz de abandonar Arely. Ainda amava-o e respeitava-o, mas diante daquele assunto, naquele momento, eram como estranhos.

— Como podem ver, não iremos ajudar a encontrar a humana. Procurem se quiserem, mas não iremos ajudar. – Kayla não pôde evitar o sorriso triunfante.

Adrien levantou-se, e os outros quatro clãs que queriam que fossem realizadas buscas, ergueram-se junto. Estava aparentemente tranquilo, e calmamente vestiu novamente sua jaqueta. Então passou os olhos de bronze derretido por todos os que tinham votado por não buscar Arely. E seus lábios se repuxaram num sorriso lupino.

— Vou lembrar-me disso quando, durante a próxima batalha, algum de vocês ou alguém de seus clãs quiserem se tornar o Consorte de Arely. Irei avisá-la e aconselhá-la, como qualquer irmão faria. Tenho certeza de que Ruby e Allan farão o mesmo. Não importa que alguém de seus clãs a tenha protegido em algum lugar ou algo assim. – e então, virou-se para Alexei. Sua expressão só podia ser descrita como “decepcionada”. – Tomás e Joseph estariam desapontados. Mas qualquer membro dos Carvalho que queira se tornar Consorte de Arely, terá sua chance. É o mínimo que merecem pelo que passaram a protegendo. – saiu então, seguido por Allan. Ruby ainda fitou os Alfas e Betas por um instante, e um sorriso no mínimo maléfico surgiu em seus lábios.

— Torçam para que a encontremos e que ela não seja uma Bruxa quando isso acontecer. – foi apenas o que disse antes de seguir seu mestre e seu irmão, os oito Alfas e Betas seguindo-a logo depois. Nenhum deles tinha herdeiros – ao menos, herdeiros que estivessem presentes.



O grupo seguiu por um tempo pela rua, e apenas quando tinham se distanciado o bastante para que não se importassem mais com Kayla, pararam. O Alfa dos Maisha foi quem pronunciou-se pelos quatro clãs.

— Nós iremos alertar todos dos nossos clãs. Vou falar inclusive com quem está em outros lugares do país. Talvez a tenham levado para outra cidade. Vamos organizar buscas, e não vamos parar até encontrá-la. – terminou de falar, o grupo trocando números de celular entre si. Qualquer informação que um deles tivesse, seria imediatamente passada para os demais. Antes de partir para seu território, o Alfa olhou para Allan. – Espero que todos do seu clã estejam bem.

Quem respondeu foi Ruby.

— Vão ficar meio grogues por umas duas semanas, mas vão se recuperar. – sorriu de leve com a preocupação do Lycan, que devolveu o sorriso, antes de ficar sério e estralar a língua, como se quisesse falar algo. Adrien franziu as sobrancelhas com essa ação do Maisha.

— Fale. – o Alfa suspirou, deixando os ombros caírem.

— Você sabe que fomos nós, os Maisha, que começamos tudo, não sabe? – lentamente, o Observador fez que sim com a cabeça. – Bem... Foi por causa do pedido de uma Médium... – o Lycan estava estranhamente nervoso, parecendo querer se encolher, trocando o pé de apoio à cada poucos segundos.

Adrien semicerrou os olhos perigosamente.

— Explique-se.

— Teresa era uma Médium sob os cuidados do meu clã desde que meu pai era uma criança. No ano passado, ela me chamou e me fez prometer transferir todos os Lycans dos Maisha que a protegiam para proteger Arely, e chamar os Alfas dos clãs que mais confiava para isso também – nesse ponto, ele acenou para os outros Alfas –, e armar alguma coisa que acabasse envolvendo os outros clãs, à ponto de ser decidido proteção integral para Arely. – deu de ombros ligeiramente. – Pouco antes da decisão ser tomada, Teresa morreu, sem me dizer o porque disso tudo. Dois dias depois, Louis apareceu no colégio da Arely. – coçou o nariz, incomodado. – Foi o filho dela que a matou. Ele nasceu Bruxo...

O Observador fechou os olhos lentamente e inclinou a cabeça para trás, o rosto voltado para o céu azul com algumas poucas nuvens.

Ele apostava seus quinhentos anos de vida que Teresa vira Elizabeth seguindo a Mensageira. Já que todos os Médiuns sabiam sobre ela – como, exatamente, ele não sabia –, e com o impulso natural de ajudar os Espíritos que não tinham feito a passagem, era óbvio que a mulher faria qualquer coisa que pudesse provocar que Elizabeth fizesse a passagem. Inclusive colocar a própria vida em risco. Ela provavelmente desconfiara do que Arely era, e considerou que a forma mais rápida de Elizabeth fazer a passagem seria, por alguma razão, provocá-la a tentar destruir a barreira entre o humano e o celeste. Isso aceleraria o cumprimento da maldição da Bruxa, e portanto, que o espírito realizasse a passagem.

— Obrigado por me contar. – finalmente disse. – Saber disso ajudou... Me fez ter certeza de que, apesar do que parece, seu poder não despertou tanto assim... – Sim, era um indicativo. Elizabeth se vira forçada a agir com a ameaça de Louis; ele provavelmente havia sido contatado pelo Bruxo filho de Teresa, que devia ter arrancado do espírito da Médium algo relativo à Elizabeth. Ainda assim, o espírito não agira tão rápido quanto podia: ela acelerava os acontecimentos, mas na velocidade certa para que não fosse incontrolável, para que Arely não entrasse em colapso, ou de nada adiantaria.

O Alfa dos Maisha balançou a cabeça e acenou, antes de ir em direção da irmã que o esperava, impaciente, despedindo-se dos demais Alfas.

Apenas quando estavam sozinhos, Adrien liberou sua raiva. Bateu o pé para impedir-se de fazer alguma besteira maior, e apenas isso bastou para rachar o concreto.

L’inferno! Gruppo di idioti e ipocriti! Giuro che ancora ucciderli tutti!¹ – o sotaque italiano foi carregado com raiva, e os dois irmãos se encolheram instintivamente. O avô italiano e Lycan tinha alguns rompantes quando eles eram menores. Berrava em italiano e deixava-os nervosos ao extremo, porque tendia a quebrar tudo. A grande diferença era que Adrien era séculos mais velho e parecia bem mais capaz de se entregar à fera do que o velho Lycan italiano, ao invés de apenas quebrar o que estivesse ao redor.

Apesar do tempo que permaneceram na reunião não ter parecido tão extenso, a noite começava a cair sobre a cidade. Por um momento, Adrien olhou para o céu, o rosto numa confusão e mescla de sentimentos que expunha o quão irritado ainda estava. Respirou fundo, e olhou de novo para a rua.

Così tanto tempo sprecato per niente...² – sussurrou, e então voltou-se para os jovens Lycans diante dele. Soltou um som que era como uma espécie de rosnado baixo, esfregando o rosto e bagunçando os cabelos. Deus, sabia que estava diante de Alfas idiotas, mas não achou que fossem tantos. – Vão para casa. Vou só passar no lugar onde estou hospedado, pegar minhas coisas e resolver um problema, e então vou pra lá. Arrumem um quarto pra mim. – olhou então nos olhos de Ruby, e a garota soltou um suspiro cansado. Adrien explicara-lhe um pouco sobre as habilidades dos Observadores, e ela já tinha desconfiança sobre o que ele faria. – Hoje durante a madrugada vou entrar no plano espiritual e tentar localizar Arely. Vai ser um processo demorado e cansativo, diferente do que já te ensinei, Ruby, e não posso arriscar fazer isso sem ninguém para proteger meu corpo. Vou seguir o rastro de um espírito que está isolado em seu corpo, sem contato com o plano espiritual. É algo trabalhoso, e até hoje, só Hayato conseguiu dominar completamente esse dom sem que o espírito e o corpo se desconectem.

Ruby e Allan confirmaram e despediram-se do Observador antes de partirem.

Adrien ainda olhou por mais alguns minutos o caminho por onde eles tinham seguido, lembrando-se do “juramento” que o mais velho fizera enquanto falava com ele ao celular.



¹: Inferno! Bando de idiotas e hipócritas! Juro que ainda mato-os todos! (Italiano, by Google tradutor)
²: Tanto tempo desperdiçado pra nada... (Italiano, by Google tradutor)
(Se você fala italiano, e essas frases estão erradas, por favor, me fale o correto. Tenho só google tradutor pra isso :( )