30 janeiro 2015

Resenha: A Ordem da Leoa - Caçadora de Unicórnios


Editora: Galera Record
Autor: Diana Peterfreund
Páginas: 360
"Ela parou de falar, mas eu soube o motivo. Todas nós sentimos, mas nenhuma estava preparada.

Sentimos uma vibração debaixo dos pés, como se as pedras antigas estivessem se soltando do chão, e, então, Ursula gritou.

Eu me virei. Mesmo em câmera lenta, o unicórnio era praticamente um borrão. Enorme, castanho, como mármore manchado de lama. Um re'em. Era do tamanho de um touro, de um bisão, e as garotas se encolheram. Havia alguma coisa em seu chifre, um pedaço de pano, uma coisa embolada, mas quando ele sacudiu a cabeça e aquilo caiu no chão, eu vi.

Ursula." (Pg. 214)

Já deu pra perceber por esse trechinho que não é um livro bonitinho.

Unicórnios nessa série são tratado como, bem... Como eu deveria tratá-los: como seres que só gostam de mulheres virgens (e olhe lá, no livro ainda tem de ser descendente de Alexandre o Grande, senão ferrou xD ), e o resto se ferra se chegar muito perto. Se ferra no nível de levar uma chifrada na perna e virar comida de Unicórnio.

Nada como Unicórnios carnívoros que decidiram voltar da extinção e dificilmente morrem para alegrar o dia.

A história é boa e envolvente. Diferente, sabe. Apesar de ser YA, o livro tem mais sangue que alguns filmes que deviam ter muito sangue (para minha alegria). É interessante ver como as meninas da Ordem da Leoa tem de redescobrir como a Ordem funcionava e como ser uma verdadeira Caçadora de Unicórnios. É interessante ver as interações com Bonegrinder, o Unicórnio mascote da Ordem...

"Mas elas não matam Unicórnios?!"

Matam. Mas mais pra frente descobrimos algo importante também em relação a interação Caçadora-Unicórnio.

Enfim. E quando a gente descobre o que realmente aconteceu com os Unicórnios antes, e porque eles estão voltando, é simplesmente... "Queixo, sai do chão e deixa eu fechar a boca". Sério.

A personagem principal, Astrid, em alguns momentos me encheu a paciência. Tipo... Ela demorou muito pra perceber algo que eu percebi de primeira (e não vou contar o quê porque é spoiler), mas apesar disso, é uma boa personagem principal... Quando não se trata da interação com sua mãe. É... Irritante, ver como ela não consegue mostrar que ela não quer ser uma Caçadora. Ela até se encontra depois, mas antes disso... Desculpa, Astrid, você era um pé-no-saco-que-eu-nem-tenho. A mãe dela também. A mulher parece que não quer enxergar o quão perigoso a Caça é, até se ver cara-a-cara com uma situação que joga isso na cara dela. Antes disso, é uma das personagens mais irritantes do livro.

As outras meninas do Claustro, as outras Caçadoras, são personagens incríveis em seu próprio jeito. Quer dizer, temos uma modelo entre elas. E a prima de Astrid, Phil, é uma das melhores personagens no livro inteiro, se não a melhor. É... Triste, ver o que acontece com ela.

A diagramação é linda. A espada de Clothilde, a ancestral de Astrid e Phil que teoricamente terminou com os Unicórnios ao matar o karkadan Bucéfalo (que tinha sido montado por Alexandre o Grande), abaixo dos títulos dos capítulos, dá todo um toque para o livro. A página amarelada também dificulta que a visão canse durante a leitura.

E a capa. É bonita, mas... Não tanto chamativa, acredito. Pelo menos na minha opinião. Assim, combina, mas acho que teria sido melhor se a espada fosse a espada de Clothilde, que pela descrição, basicamente uma espada muito longa e muito pesada, é similar a uma claymore ou pelo menos a uma espada de duas-mãos normal. A da capa parece uma normal pra uma mão, sequer pra mão-e-meia, que permitiria a espada ser manipulada por duas mãos em situações de emergência. Ou talvez, ao invés da espada, a adaga de alicórnio (chifre de Unicórnio) que a Astrid usa em várias cenas. Acho que combinaria mais, sabe.

Enfim. É uma história boa, que trás uma visão diferentes sobre o mito dos unicórnios, mas que perdeu meio coração pela espada na capa, e mais meio pela personagem ter preciso ser quase que literalmente chutada pra parar de chorar sobre não querer estar lá. Normal ela não querer estar lá, mas então que fosse mais firme com a mãe, Lilith, sobre isso, ou, se não era capaz disso, que fosse séria com o que tinha de fazer, já que não podia fugir. Foi o que aprendi: não tem como fugir disso? Seja firme e faça o melhor que puder.

Classificação Final: