03 outubro 2013

Resenha: A Garota dos Pés de Vidro



Editora: Leya
Autor: Ali Shaw
Páginas: 288


“De perto, toda a sua barriga parecia descolorida. Era difícil distinguir profundidade no vídeo, mas seu abdome, que era de um vermelho corado, parecia recuado, como se ela estivesse encolhendo a barriga. Midas percebeu de repente que a superfície da barriga havia se transformado em vidro. Era uma tela de vidro para os músculos e órgãos do abdome, apesar de os detalhes serem difíceis de ver na filmagem. Ida cobriu a boca com a mão. Midas de repente desejou que Carl tivesse deixado Emiliana continuar do seu jeito e mostrar o vídeo de manhã, quando a luz do dia traria algum conforto pelas janelas.” Pg 189

*Secando as lágrimas*

Bem...

Não li "A Culpa é das Estrelas" pra poder comparar direito... Mas o tanto que chorei lá pro final de "A Garota dos Pés de Vidro" é quase o mesmo tanto que quem leu o livro do John Green diz que chorou. (tá, chorei mais ainda em "A Estrela", mas a resenha dele tá longe ainda, então, ignore xD)

Enfim.

Primeiro, temos a capa linda, um tanto sutil e suave, que faz com a gente já comece a mergulhar no ambiente da história. Nota dez. O começo é um pouco lento, mas conforme a história avança, o ritmo acelera.

Midas é um fotógrafo de tempo livre. O que o sustenta é o seu trabalho na floricultura do melhor (e único) amigo. Ele é o extremo do antissocial. Sério.

E Ida é uma mulher, numa frase, cheia de vida. Que não pode mais se meter em todas as aventuras que se metia porque seus pés estão se transformando em vidro.

O que provocou isso, é um mistério. Mas está relacionado à ilha de St. Hauda's Land, onde temos vacas do tamanho de insetos com asas de borboleta e uma criatura que transforma tudo o que olha em branco puro.

Claro, essas coisas são lendas, assim como a lenda dos corpos de vidro no fundo do pântano. Mas ver os pés transformados em vidro de Ida, bem, definitivamente não é alucinação, portanto, algo de verdade deve existir por trás dessas lendas, especialmente se eles quiserem encontrar uma cura para Ida, enquanto mais e mais dela se cristaliza.

A história passa justamente por essa jornada, de ao mesmo tempo de tentar descobrir como parar essa transformação, descobrir a si mesmo e curar o próprio coração, por assim se dizer. Temos cenas maravilhosas, cenas macabras, cenas de "Oh, Meu Deus..." (ou qualquer ser que você louve ou não) dito num sussurro, com medo de perturbar a cena que está se desenrolando.

O romance entre Ida e Midas se desenrola de um jeito quase tranquilo, que quase não se percebe que existe um romance até acontecer algo. Acho que é principalmente por causa disso que chorei tanto lá pro final.

Além disso, a forma como os acontecimentos do passado e do presente e os personagens se entrelaçam são realmente outro ponto para Ali. Mais do que isso, ele descreveu aquilo que "não é possível" que existe na ilha de tal forma que é perfeitamente cabível que algo daquele jeito ocorra.

A história é linda e a narração é do tipo de te fazer mergulhar na história e não querer largar. Só não ganhou cinco coraçõezinhos no balanço final por um simples motivo: o mundo que ele criou podia ter sido melhor explorado, ter ganho um tiquinhozinho mais de destaque. Opinião pessoal minha, mas enfim... Reitero que a história é linda, embora também não seja um livro só do tipo "ler pra entreter". É um livro que, no final, você para e fica um bom tempo pensando e considerando o que realmente importa na questão do "viver a vida", ou ao menos, foi essa a minha reação.

Leiam, não vão se arrepender.

Ah, e se forem manteiga derretida, deixem um lencinho separado do lado... xD

Classificação Final: