06 dezembro 2012

Resenha: Caminhos de Sangue




Num consigo falar. Num consigo respirar.
O Lugh foi embora.
Embora.
Meu coração de ouro foi embora.
Eu ajoelho na poeira.
As lágrimas escorrem pelo meu rosto.
E uma chuva forte, vermelha, começa a cair.

Editora: Intrínseca
Autora: Moira Young
Páginas: 352


“Sinto calor queimar dentro de mim. Rastejar pela minha pele. Um fio de suor desce pelo meu peito. Tiro a pedra do coração, que tava guardada em segurança dentro do meu colete. Ela tá morna. Não. Quente.
Isso é estranho. Olho pro céu. O sol tá caíno no oeste. O dia devia tá esfriano.
Mas parece meio-dia. Muito quente.” (Pág. 139)

Muita gente vai detestar/detestou a narrativa. Seja pela forma coloquial, seja pelo discurso quase-indireto.

Mas eu gostei. Eu senti como se estivesse diante de Saba, sentada à beira de uma fogueira, enquanto ela me contava tudo. Foi essa a sensação: quase uma conversa.

A capa e a diagramação do livro ficaram... Bem, ponto para a Intrínseca, principalmente com a silhueta de corvo (Nero, seu lindo) dividindo os capítulos e sub-capítulos. Encantador.

Saba é uma personagem complexa e muito, muito bem construída. Sua devoção para com Lugh e seu quase-desprezo por Emmi mostram seus defeitos muito bem, principalmente por culpar Emmi pela morte da mãe. Mas, mesmo assim, ao longo do livro, o que eu percebi é que Saba gosta da irmã do seu próprio jeito, mas não admite. Ela é mandona, irritadiça, enfim, não é perfeita e não é uma flor de jardim... Está mais para uma flor BEM, mas BEM espinhenta...

Emmi é uma fofura, e, apesar disso, concordo com a Saba ralhar com ela algumas vezes: menina, faz o que a Saba manda ao menos uma vez e para de se meter em encrenca! xD

E, apesar de todos os personagens tão interessantes e tão egoístas, em sua grande parte, o melhor, o prêmio para “galã do ano” vai para Jack. Gente, ele é... É... Enfim, não sei direito como descrevê-lo, mas sua arrogância, orgulho, ironia, cara-de-pau e cafajestice o tornam único.

“Se você salvar a vida de alguém três vezes, a vida dessa pessoa é sua. Você salvou a minha vida hoje. Salva ela mais duas vezes e eu sou todo seu.” (Pág. 171)

Principalmente porque Saba também tem uma personalidade forte, e é simplesmente hilário ver os dois brigando. Ah, os olhos cinzentos de lua dele também são um ponto a considerar.

A melhor cena que resume o dois é quando Saba salva a vida dele pela segunda vez... É puramente hilário ver a música que Jack canta, que fala sobre Anne malvada que o maltrata e tals, mas que não vai deixá-la... xD

“[..] Já amei muitas mulheres e cortejei muitas moças
E muitos abraços senti
Que por uma noite fugaz comigo ela se deite
Com Annie malvada eu morreria de deleite.

Ah, tantas belezas desejaram que eu ficasse
Mas só Annie me arrebatou
Pode me ferir, me afastar, meu coração cortar
Mas minha Annie malvada eu não vou deixar.”

Pág. 278

Alguns parágrafos depois...

“Que canção imbecil. Quer dizer, que tipo de idiota ia aguentar uma mulher tão problemática?”

Tudo, né? xD

Mas, tem outro personagem que também tem a sua cota de fãgirls em algum lugar desse mundo, apesar de aparecer pouco e suas intenções ainda serem desconhecidas... DeMalo, comandante de mais alto posto dos Tonton, os guardas e todo o mais do Rei e que vigiam o comércio de chaal. Pensem num personagem que nem mesmo Saba sabe mais o que pensar... É ele.

Ike e Tommo também são personagens com sua cota de intensidade e, não sei porque, acho que o pai de Tommo vai ter alguma participação no futuro... É só algo que acho. E Ike... NÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOOOOO!!!!! T.T

Syba: Controle-se... ¬¬

Tenshi: Okay... t.t

Agora, indo para a história mesmo... Muito interessante o que Moira construiu, com o comércio de chaal e o “Rei”. Apesar de ser uma distopia/pós-apocalíptico, dá pra trazer pros dias atuais: chaal é todas as drogas, legais e ilegais, que viciam o corpo e a mente e destroem a pessoa, e o Rei é todo mundo que comanda tudo isso, ricos e mandando no mundo, queiram os governos ou não.

E o motivo pelo qual levam Lugh também dá pra trazer aos dias atuais, porque, no fim, foi a mente enlouquecida pelo desejo de poder do Rei que terminou naquilo. Me lembra, em certa parte, de um ditado que vi acho que nas aulas de Filosofia... “A religião é o ópio do homem” (Não me levem a mal. Também sou religiosa, mas considero um fato de que TUDO que é demais, faz mal. E religião demais é fanatismo, e é quando religião vira o ópio do homem, um vício). Não foi exatamente um motivo religioso, mas, ainda assim, foi por causa de algo que subiu-lhe a cabeça, que o viciou naquilo.

Recomendo muito. É uma aventura deliciosa de ler, com um romance muito parecido com a realidade, à meu ver, com cargas leves de mistério e suspense, e que quando terminamos, ficamos com a sensação de “Quero mais”.

Syba manda Beijos!