29 novembro 2012

Resenha: Estilhaça-me



Ninguém sabe por que o toque de Juliette é letal, mas O Restabelecimento tem planos para ela. Planos para usá-la como arma.

No entanto, Juliette tem seus próprios planos.

Após uma vida inteira sem liberdade, ela descobriu uma força para lutar contra todos pela primeira vez – e para obter um futuro com o garoto que ela pensou que fosse perder para sempre.

Editora: Novo Conceito

Autora: Tahereh Mafi

Páginas: 304
 



“- Desculpa por ser tão imbecil – murmura ele para a parede. Ele não me toca e eu estou desapontada feliz por ele não me tocar. Queria que ele tivesse. Ele não deveria. Ninguém jamais deve me tocar.”
 
A capa é magnífica. Não sei dizer direito, mas me apaixonei pela capa na primeira vez que a vi. E pelo título também. E a diagramação também ficou muito boa, gostei do trabalho da Novo Conceito com os números dos capítulos parecendo vidro rachado/quebrado. Deu a sensação de estilhaçar mesmo.
 
Agora, o que realmente me fez amar o livro... Não foi muito a história. Não me levem a mal, a história é apaixonante, mesmo que o final me tenha lembrado... Não, não vou contar, é spoiler. Mas mesmo assim é uma boa história, que não ficou clichê, pelo menos na forma como percebi.
 
“Eles tomaram tudo. Minha vida. Meu futuro. Minha lucidez. Minha liberdade.
 
O que realmente me fez amar o livro... Foi a forma de narrar da Tahereh. É tão... Envolvente...
 
As partes que, como os quotes anteriores, colocam os sentimentos e sensações que a personagem não quer falar, as falas implícitas, de forma encoberta ao ser riscada... E... A forma como Juliette descreve as formas como se sente... Meu Deus, é intenso... Eu me sentia sendo Juliette. Eu chorei junto dela. Queria tanto oferecer um ombro amigo para que ela chorasse...
 
“Adam será punido pelos meus erros. Pela minha desobediência.
Quero inundar de lágrimas um balde de arrependimento.”
 
O arrependimento é expressado tão claramente que me tocou nessa parte. Eu sabia exatamente como a Juliette se sentia, porque a sensação que tinha na época em que discutia com meu pai era igualzinha. Eu SEMPRE me arrependia do que falava, independente de com quem a razão estivesse.
 
“Matar tempo não é tão difícil quanto parece.
Posso atirar uma centena de números no peito e vê-los sangrar pontos decimais na palma de minha mão. Posso rasgar os números de um relógio e ver os ponteiros das horas fazer tique-taque tique-taque tique-taque, seu taque final pouco antes de eu pegar no sono. Posso sufocar os segundos apenas segurando minha respiração. Há horas ando assassinando minutos e ninguém parece prestar atenção.”
 
A sensação de tédio é realmente intensa e bem descrita. É exatamente assim que me sinto quando olhar pra parede é mais interessante que tudo.
 
“Engulo meu estômago. Meus olhos se levantam bruscamente para ler seu rosto, mas eu sou uma confusão de eletricidade, zunindo com vida e relâmpago, quente e fria, e meu coração é errante. Estou tremendo em seus braços e meus lábios se apartaram por nenhuma razão.
Sua boca atenua-se em um sorriso. Meus ossos desaparecem.”
 
Acredito que não precise dar descrições sobre...
 
Entenderam aonde quero chegar? A narrativa é apaixonante, intensa. É por isso que, apesar da falta de informação, gosto tanto de primeira pessoa... Os sentimentos e sensações do personagem são mais intensos, e você mergulha de cabeça, você se transforma no personagem.
 
E Tahereh soube fazer isso com Estilhaça-me.
 
E os personagens... Weber é... É... apesar de obsessivo-compulsivo, cruel, e todo o mais... Tenshi não nega atração. Mesmo com todas as vezes que ele tentou obrigar Juliette à algo, ou o que quer que fosse, eu me sentia... Não sei dizer. Mas... Pode-se dizer que eu queria ajudá-lo. E o desespero que ele parece sentir para que Juliette o ame, mesmo que o que ele sinta por ela não seja amor, mas obsessão... Me fez pensar e imaginar pelo que ele passou. Me faz ter pena dele.
 
Adam é... Não sei, uma gracinha? Fofura? Eu gostei dele, da devoção que ele tem pela Juliette e por um personagem que não vou contar. É bonito de se imaginar. Mas, sério, no geral, é isso que salva ele, porque, particularmente, eu o achei meio sem sal... Corajoso e todo o mais, mas, sem sal...
 
Tem um terceiro personagem, que ganha certa importância a partir de uma parte do livro. Não vou contar o nome, mas adianto que, se ele não tivesse aparecido, Weber continuaria com o meu posto particular de galãs de Estilhaça-me.
 
Admirei a bondade da Juliette, a coragem, e a imensa vontade dela em contrariar as opiniões de Weber, que afirma que deve usar seu poder para dominar e todo o mais. Ela realmente faz o que tem de fazer para proteger e ajudar aqueles que ama. Realmente.
 
Recomendo. Um zilhão de vezes: recomendo.
 
PS: O melhor é a ausência de triângulo amoroso. Eu não sei vocês, mas ando MUITO enjoada com triângulos amorosos...

Syba manda beijos!