25 abril 2012

Resenha: Os Dias do Cervo - A Saga dos Confins



Eu não esperava postar mais uma vez essa semana, mas terminei de ler esse livro, e não deu pra me segurar!



"Os Dias do Cervo", escrito por Liliana Bodoc, escritora Argentina, é um livro, no mínimo, maravilhoso, à nível de Tolkien, que devia ser mais divulgado.Tipo, o livro recebeu o Prêmio Fantasia de 2000 e a Lista de Honra do Prêmio Andersen de 2000, também, pra mencionar. E, tipo, quando o comprei numa promoção no mercado, eu não dava tanto por ele...

Enfim, comecemos...

Sinopse: (que eu não tenho o costume de por, mas esse aqui tem que vir pra cá)
Uma frota de navios se aproxima; porém, a Magia das Terras Férteis não consegue decigrar se deve recebê-la com a alegria de um reencontro ou com a tristeza das armas.
Os habitantes das Terras Férteis nada sabem sobre a terrível ameaça que ronda o continente, e tampouco que nada voltará a ser como antes.
O Bem e o Mal, como em toda grande história épica, trabarão uma batalha terrena, sob a influência de forças intangíveis, sobrenaturais e mágicas. Os homens de paz se tornarão guerreiros, os guerreiros, heróis. A salvação do continente depende da coragem do seu povo que enfrentará longas viagens, traições, ódio, medo e desamparo.
A Magia, então, convoca um concílio, elegendo representantes de todas as etnias. Os mensageiros chegam à região dos husihuilkes nos Confins, para convocar o guerreiro Dulkancellin, um chamado que abalará a complexa e vital organização das Criaturas que vivem n'Os Confins e sua relação com a Magia.

A história começa na casa de Velha Kush. Tipo, AMEEEEEEI a Velha Kush, mesmo que ela só apareça no começo e no fim do livro. Mas é uma das personagens mais do tipo "Ooooh". Se eu tivesse lido Os Dias do Cervo antes de escrever Teorias, eu poderia jurar que me inspirei nela pra definir a Eurídice. Não no papel ou algo assim, mas, sei lá... Uma me lembra a outra e coisa e tal.

O passado de Dulkancellin, o guerreiro Husihuilke convocado para representar os seus no Concílio na Casa das Estrelas, puts... O passado é que dita como ele é. Sem dúvidas. A perda que sofreu... Pqp, parando pra não dar spoilers... Tenshi também não comentará muito sobre os personagens como costuma fazer... É dar muito spoiler acidental... Só digo que o Cucub é uma graça!

A narrativa é... Incrível. Terceira pessoa, por vezes o narrador nos revela coisas que acontecerão, ou então nos mostra, num instante, através de uma frase bem colocada, que certas coisas não são o que parecem...

E o grande vilão... Caramba, temos toda a história dele revelada e quem ele é de cara (diferente de Sangue dos Antigos =P) e, pqp! Misáianes é O VILÃO com A ORIGEM. Tipo... O que ele quer não é dominar o mundo. Isso é fácil. Ele quer é acabar com a Vida em si. Vocês entederão ao lerem o livro... O vilão foi muito bem construído, garanto.

E a rede de intrigas e traição me deixou meio "Que medo o.o"

E não importa O QUE a Planeta colocou na contra capa do livro, sobre tradição celta e mitologia latino-americana... CARA, percebi rápido que Liliana se inspirou na invasão da América Central e do Sul pelos Europeus... Eu pelo menos não vi Celtas ali... A Casa das Estrelas e os Supremos Astrônomos me parece mais Maia/Azteca... Os husihuilkes, os índios de nossas terras... Os Bóreos e seus descendentes, os deuses que os Aztecas acreditavam que viriam do mar... Os homens do Reino do Sol (ou algo assim, não entendi direito esses caras), os Aztecas... Os zitzahay (talvez eu tenha errado na escrita), os Maias... Os pastores do Deserto, os povos um tanto mais atuais que sobrevivem nos Andes do pastoreio de Lhamas... O Clã da Coruja e os Bruxos da Terra, talvez, os Shamans e Pajés. E não tem com o que identificar os Lulus... Eu pelo menos não consegui.

E o livro não deixa de ser maravilhoso...


Quote: (Página 305)
- "Falaremos melhor pela boca de Kupuka" é como dizer um Astrônomo da Terra Isolada não é melhor que um Bruxo d'Os Confins. E, aqui, eu começo a repetir: um Bruxo d'Os Confins não é mais nem menos que uma nogueira; um nascimento humano não é mais nem menos que uma floração, um Astrônomo observando as estrelas não é mais nem menos que um peixe desovando. O caçador não é mais nem menos que apresa de que precisa para viver; um homem não é mais nem menos que o milho que o alimenta. Foi isso que Zabralkán disse; e é o primordial. A Criação é uma trama perfeita. Tudo nela tem sua proporção e sua correspondência. Tudo está alinhavado com tudo em uma urdidura infinita que nem minhas amadas tecelãs do sul poderiam reproduzir. Pobres de nós se esquecermos que somos um tear. E que não importa onde o fio se corte, dali Misáianes começará a puxar até desfazer a paisagem.

Se todos no mundo pensassem assim e levassem isso em conta em suas vidas...

Beijos de Fadas

Procurem ler Os Dias do Cervo!

Ps: Eu acho que a Planeta não vai lançar os outros dois volumes, e não achei traduzidos na net... Droga... Vou mesmo ter de lê-los em espanhol?

Ps2: Xeretando o Blog El Arte de los Confines Tenshi descobriu que na Argentina lançou mais um livro, um complementar, parece... E eu só conheci essa maravilhosa saga agora... *se estapeia*

Ps3: Tenshi agradece à quem torceu por sua nota boa em Anatomia. Consegui mais de cinco na prática e na teórica, o que me ajuda um bocado à ter a média acima de cinco pra ser aprovada em Anatomia. Meu muitíssimo obrigada à torcida de vocês e muito mais obrigada à Deus, que me ajudou a lembrar aquilo que sabia. ^^